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sexta-feira, março 28, 2008

LUCIANNO MAZZA... NA SENDA DO ÊXITO




Este blog também se interessa pelo que de bom se faz no Brasil irmão. E é com prazer que aqui noticiamos o sucesso do nosso amigo LUCIANNO MAZA


A MEMÓRIA DOS MENINOS

texto e direção de Lucianno Maza

com Clóvis Tôrres e Fabiano Medeiros

Teatrix (Rua Peixoto Gomide 2066 - Jd.Paulista)

"O espetáculo que marca a estréia paulista do autor e diretor carioca encontra um equilíbrio interessante ao contrapor a linguagem que flerta com o melodrama com uma encenação fria." Gabriela Mellão para Bravo! (seleção Bravo! de melhores espetáculos - ed.Fevereiro)

"(...) atuações que estão simplesmente maravilhosas. (...) sentimentos que contagiam o público. Tanto por causa da dramaturgia, quanto pelos intérpretes (...) A montagem merece ser vista por todas as qualidades."Maria Lucia Candeias especial para Aplauso Brasil

A HISTÓRIA DELA
um poema cênico sobre o amor e a implacável passagem do tempo
texto de Gabriela Mellão
direção de Lucianno Maza
"Dotada de lógica própria, "A História Dela" tem um tempo diferente do cronológico. É ao mesmo tempo contada e vivida ao longo de um jantar em que o casal comemora 20 anos de casamento, interceptado por pedaços de vida imaginados, desejados, experimentados ou prestes a serem vivenciados, os quais influenciam os personagens mudando os rumos da comemoração."
"A História Dela" e de todos nós. Uma peça de musicalidade erudita, construída sobre uma plataforma suspensa às alturas da lembrança confusa e da loucura do amor, a metros de distância do asfalto da realidade. Foi um desafio transformar em matéria cênica, em imagem e sentido, o que é tão forte e belo em sua abstração lírica."
com Clóvis Tôrres & Luah Galvão


LUCIANNO MAZA: UM CASO DE PAIXÃO ESSENCIAL PELO TEATRO!
entrevista com Lucianno Maza
Por Clóvis Tôrres
Lucianno Maza é um jovem carioca que acaba de mudar para São Paulo, um dramaturgo que não gosta de comentar a idade. Às perguntas sobre sua idade, responde que prefere aguçar a �algo mitológico�, mas não fala quantos anos tem. Diz que nada é essencial para ninguém, que cada um tem suas necessidades, mas admite o que lhe é essência: a paixão. Pudera, com pouca idade (ou seria só aparência?), ele está na estrada e não brinca em serviço; ou melhor, alimenta sua essência infantil brincando de construir personagens para exercitar com seriedade seu teatro. Diz que optou pelo caminho da afetividade e que é preciso ser verdadeiro, sempre, sempre desnudar-se. Criador do DRAMA TEMPO, um projeto de leituras de dramaturgia contemporânea, no Rio de Janeiro, que reuniu mais de 250 artistas e que por hora está �descansando� enquanto o autor/produtor/agitador encontra novos espaços, ele nos concedeu uma bela entrevista. Aqui, ele fala de sua paixão pelo teatro, leis de incentivo, seu teatro cívico e se posiciona. �Espero que Baco não me deixe faltar o vinho da paixão!. Evoé! Boa leitura.
Letras Em Cena: Lucianno, você tem formação de ator e depois se tornou dramaturgo e diretor. Como foi este processo?
Lucianno: Minha formação de ator se deu muito, também, através de estudos em oficinas como as do Centro de Estudos que a Ana Kfouri coordena no SESC Rio, lá tive contato com uma pesquisa mais autoral (no caso focada no corpo), dessa forma fui aprendendo a colaborar ativamente na criação cênica, e tomando gosto por essa construção, até mais do que pela execução dela. Com isso e em contato com alguns colegas que estavam nesta mesma busca, como a atriz Cristina Froment, acabei me encorajando como autor, os textos que sempre escrevi finalmente vieram à tona, e eu quis concretizá-los. Em menos de um ano aconteceu a primeira montagem (�Boi da Cara Preta� numa boate carioca), mas então havia uma carência de diretores jovens, que quisessem montar textos de dramaturgos jovens (não que esta intercomunicabilidade geracional seja indispensável, mas por parte das gerações mais velhas de diretores ainda não havia interesse pelos novos autores, salvo pontuais exceções). Assim, eu, como outros dramaturgos da geração 2000 (se é que já podemos falar com este distanciamento do nosso próprio tempo), dirigi meu texto para que ele pudesse então ser encenado. Mas como sempre tive o olhar pra cena muito curioso e interesse também na materialização do texto, dirigir sempre foi muito prazeroso. A transição de ator para dramaturgo e diretor se deu aos poucos, e eu diria naturalmente. De vez em quando sinto lá no fundo uma vontade de voltar a atuar, de participar da brincadeira antiga e divina que é o ato de representar, de estar na catarse, mas agora tenho me dedicado à escrita teatral e à encenação e minha paixão é construir e mostrar meus personagens sonhados.
Letras: Como se descobriu autor?
Lucianno: A história é aquele velho clichê do garoto diferente dos demais, que tinha como passatempo preferido ler, e foi construindo seu imaginário e dialogando com ele. Com o tempo é natural sair dessa imaginação, mas acho que fiquei lá. Primeiro desenhos, e depois a forma de narrar o que acontecia lá (na imaginação) foi escrevendo... Construindo e reconstruindo minhas histórias. Escrever então sempre me foi muito natural, e até certo momento eu achava um absurdo as pessoas que não faziam isso, era algo tão indispensável, me perguntava como elas conseguiam viver sem escrever e ler muito? Fui crescendo e tudo que aprendi, li e vivi foi indo para minha escrita, me descobri autor conscientemente ao mesmo tempo em que me descobri homem, e percebi que escrevendo, principalmente, que queria falar ao mundo. Como sempre estudei teatro, e desde criança fui fascinado por ele (um obrigado à minha mãe por sempre ter me levado ao teatro quando isso já estava, infelizmente, em desuso e ao Carlos Henrique Casanova, primeiro autor e diretor que conheci), a dramaturgia foi o caminho.
Letras: Você é carioca, idealizou e realizou, no Rio, o projeto DRAMA TEMPO � Ciclo de Leituras Dramaturgia Contemporânea. Como surgiu esta idéia e quais foram os �resultados� deste trabalho?
Lucianno: A idéia do DRAMA TEMPO surgiu a partir da necessidade de expor minha pesquisa dramatúrgica de autores brasileiros contemporâneos, e também documentá-los, contribuir para o registro da História que se faz hoje e que daqui há 10 ou 20 anos será indispensável conhecer. Me concentrei na produção dos anos 90 e 2000 e �descobri� grandes dramaturgos que muita gente não conhecia porque não havia onde se manter contato com eles, com suas obras, ao mesmo tempo que muitos jovens dramaturgos me �descobriram� e mandaram textos. No final de 2004 surgiu a oportunidade num espaço público do Rio para fazer a leitura de uma peça minha, então propus um projeto fixo, de continuidade, que fosse um pólo de pesquisa, mostra e discussão da dramaturgia brasileira. Assim surgiu em Janeiro de 2005 o DRAMA TEMPO � Ciclo de Leituras Dramaturgia Contemporânea. Os resultados desse trabalho foram muito positivos para quem passou por ele, seja participando, seja assistindo, e durante dois anos foi um dos poucos espaços democráticos no Rio para se mostrar e debater os textos de autores contemporâneos (novos ou renomados) e fomentar suas produções. De certa forma o DRAMA TEMPO supriu essa carência e vários jovens dramaturgos que hoje estão em cartaz no Rio começaram ou passaram pelo projeto como Renata Mizrahi, Julia Spadaccini e Rodrigo Nogueira.
Letras: Gostaria que você comentasse, inclusive, as influências que este trabalho (DRAMA TEMPO) exerceu sobre sua própria dramaturgia à medida que você abriu um espaço para discussão sobre dramaturgia contemporânea onde, obviamente, teu trabalho estava em pauta também.
Lucianno: Essa minha pesquisa da dramaturgia contemporânea que deu origem ao DRAMA TEMPO, me apresentou autores novos, e muitos deles me mostraram possibilidades estruturais que me eram desconhecidas, um apuro característico de cada um na carpintaria dramatúrgica e nos diálogos, e fui percebendo e absorvendo tudo isso. Com o projeto, a leitura de peças se intensificou ainda mais, e os debates sempre foram muito enriquecedores, dessa forma vários autores, diretores, atores e mesmo o público que estiveram nas leituras dramatizadas contribuíram para minha atual dramaturgia. E, ao mostrar meu trabalho ali (fiz leituras de algumas peças minhas), experimentei minha dramaturgia muito à vontade, observando o que era bom ou nem tanto. Aprendi e evoluí muito como dramaturgo nos dois anos de trabalho no DRAMA TEMPO, seja com os nomes renomados que passaram por lá, sejam pelos jovens que como eu estão iniciando a construção de suas trajetórias.
Letras: O Drama Tempo reuniu aproximadamente 250 artistas em 60 leituras. Um sucesso, especialmente se levarmos em consideração que era um projeto de leitura. É inevitável a pergunta: Por que acabou? Quais foram as dificuldades para levar o projeto adiante?
Lucianno: Prefiro dizer que o DRAMA TEMPO está em descanso, o projeto não acabou, e espero poder voltar a fazê-lo um dia, e em breve, seja no Rio, em São Paulo, ou em qualquer outro lugar. Foi um privilégio muito grande que tive, e espero poder ter a chance de voltar a dar espaço a gente tão bacana e talentosa como esses quase 250 artistas que você citou. O projeto foi uma empreitada de sucesso sim, e durante um bom tempo foi muito comentado, mas vou ser muito sincero sobre o que levou o projeto a parar no final do ano passado: posso dividir a História do DRAMA TEMPO em quatro fases, além das edições especiais com dramaturgia internacional. Na penúltima dessas quatro fases, contei com a parceria da atriz e produtora Lenita Medina, que foi imprescindível para a afirmação do projeto no teatro carioca. No entanto ela teve que deixar a organização e novamente fiquei sozinho, mas desta vez estava comprometido com outros trabalhos, o que me impossibilitou de dedicar-me tanto quanto seria necessário (na última fase a periodicidade do projeto foi mensal, enquanto nos 18 meses anteriores foi semanal). Além disso, criei o projeto para toda classe teatral e o que esperava era o envolvimento da mesma, a participação, mas isso de fato não estava acontecendo, infelizmente todos queriam e gostavam muito de ler no projeto, de mostrar seus trabalhos, mas poucos eram os que continuamente o acompanhavam e incentivavam. O desinteresse da classe carioca com o projeto que era dela acabou prejudicando-o (na divulgação, nos apoios, no público), e não havia mais condições de continuar sozinho (�uma andorinha só...�) e sem apoio, e como sempre fiz sem incentivos ou subsídios, tinha que despender grande energia, tempo e dinheiro. Ficou inviável e doloroso continuar quixotescamente.
Letras: Em que pé está sua pesquisa cívica-teatral sobre novas possibilidades de encenação e relação entre artistas e o público?
Lucianno: Fazer teatro é sempre um ato cívico (às vezes até militar): o comprometimento, a batalha, a causa. Mas acredito que você se refira à trilogia �Modo de Preparo�, que tenho tanto carinho, e que estou fazendo paralelamente aos meus outros trabalhos. Nesta trilogia o meu foco é na civilidade cênica: no discurso pessoal artístico e na relação entre os artistas e estes com o público. O grande tema é, então, o próprio teatro. No verão do ano passado comecei a experimentar esse caminho com o �quaseTUDO�, um happening com 13 atores e textos de 8 dramaturgos (alguns os próprios atores), ele antecedeu a trilogia e me permitiu colocar em cena algumas reflexões. Em maio de 2007, fiz no Rio duas apresentações da primeira parte do �Modo de Preparo�, o passo 1, convidei a atriz Simone Spoladore e foi uma experiência definitiva. O primeiro momento da pesquisa não tem uma estética predominante ou um único assunto, o que fazemos é expor nosso pensamento como pessoas sobre o teatro e a vida hoje, e tudo que se engloba nisso (classes, política, História pessoal), mostrando também nossa relação pessoal e profissional: a gênese da nossa parceria; a partir dessa difícil auto-exposição inserimos as outras pessoas presentes (que não chamaria de espectadores ou público, mas sim de convidados) no acontecimento, que também se manifestam, expõem seus pensamentos, e podem assumir a posição de criadores propondo ou intervindo no que estiver acontecendo. Não se trata de teatro interativo, mas mais de interação humana. Procuramos ser sinceros em nossas forças e fragilidades como artistas. Queremos o contato, a troca, a delicadeza. A Simone levou um texto que perguntava: �ser artista te torna menos ou mais vulnerável na vida?�. Meu papel foi criar essa concepção, orientar e propor para Simone as reflexões, contribuindo com textos dramáticos que mostrassem meu discurso, além de escrever em cena durante a apresentação um texto único para cada noite, buscando captar o que acontecia ali: comigo, com ela, com nossos convidados. O interessante é notar que quanto mais próximo daquilo que realmente acreditamos, somos e queremos falar, quanto mais expostos, mais bonito era, e mais o público pegava em nossa mão... O primeiro passo dessa pesquisa então quer tirar as máscaras (e como nós artistas gostamos de uma máscara...) que acabam nos tapando e também aos nossos olhos, e ao tirarmos nos mostrarmos: para sermos vistos e também para ver.
Letras: Você agora está em São Paulo, por que mudou de cidade? Dá para fazer um paralelo entre as produções teatrais do Rio e São Paulo? Quais são as diferenças entre estas produções?
Lucianno: Sempre fui atraído por São Paulo, por essa metrópole gigante, por essa mistura de povos, essa diversidade cultural que vai até os pontos mais inusitados ou desconhecidos. Claro que o Rio é minha terra, mas sempre quis morar aqui, ao menos por algum tempo. Depois de dois anos direto de trabalhos no Rio: DRAMA TEMPO, os espetáculos �TRÊS T3MPOS� e �Restos� (que foi montado com co-direção da Tatjana Vereza no Centro de Referência da Dramaturgia Contemporânea), e a viagem com meu repertório para uma mostra no sertão do Ceará, senti que precisava de uma virada, de uma mudança na minha vida. E a situação do mercado teatral carioca está (e continua) muito mal, não dando a menor condição de produção e sobrevivência, é tudo muito complicado: faltam investimentos, faltam políticas estaduais e municipais, falta interesse e o principal (que leva a todo resto): falta engajamento, união de grande parte da classe. Cansado disso tudo, ainda que um pouco triste, resolvi sair da minha cidade, e São Paulo foi o destino: finalmente eu começaria uma nova etapa, na cidade que tanto queria conhecer o mercado e a vida de perto. Sobre o paralelo entre as produções das duas cidades: com a globalização as temáticas são comuns a qualquer lugar do mundo, há assuntos específicos, localizados, mas até estes hoje dizem respeito ao mundo tudo (não cabe mais ao pensamento contemporâneo uma pergunta como �o quê eu tenho a ver com o que está acontecendo no Iraque?�). Assim, entre as temáticas abordadas no teatro carioca e no teatro paulistano, não vejo diferenças. Tampouco em qualidade. O que acontece é que, por exemplo, o movimento da �nova dramaturgia� aqui em São Paulo começou nos anos 90, enquanto no Rio começou mesmo só nos anos 2000, com atraso de uma década. Com isso, enquanto os autores paulistanos da nova geração já tinham experimentado várias possibilidades e amadurecido suas escritas, os cariocas ainda estavam começando, se descobrindo, se identificando. Hoje, acho que a produção dramatúrgica das duas cidades está equivalente nestes termos, com a diferença de que em São Paulo há muito mais condições de se mostrar o trabalho, e é só quando se leva à cena o texto que o dramaturgo tem chances de se auto-analisar e amadurecer.
Letras: O que destacaria em nossa cena teatral que poderia ser a nossa identidade paulistana e a identidade carioca?
Lucianno: Aqui a diversidade, sem dúvida. Há muita coisa acontecendo na cena teatral paulistana, de todos os tipos, com gente de diferentes lugares, formações e interesses. Coisas maravilhosas, outras não. Mas estão acontecendo. E essa multiplicidade é muito boa. Só fazendo muito teatro é que teremos um bom teatro. No Rio também há diversidade, mas a cidade não dá muita oportunidade disso ser mostrado. Uma das características de grande parte dos cariocas é o apreço por modismos, e isso acontece também no teatro, então temos �fases� onde quase todo mundo se aventura na mesma coisa, menos por interesse pessoal, e mais por necessidade de mercado, desejo de aceitação ou interesse financeiro. Além disso, São Paulo me parece receber melhor novos nomes, independente das referências daquele artista, enquanto no Rio ainda acontece muito a valorização pessoal de quem ele é, o que ele fez, quem ele conhece, e não seu trabalho. Mas é importante dizer que sinto o início de uma mudança lá, o que é muito bom!
Letras: Quais são seus autores preferidos?
Lucianno: São tantos... Importantes em vários momentos da minha vida... Em literatura me vêm à cabeça sempre a poesia (mesmo que em prosa) profunda da Hilda Hilst, a construção da imagem e crítica contemporânea do José Saramago, e Jean Paul-Sartre e sua filosofia do homem condenado à liberdade, e ainda Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e Virginia Woolf. Dramaturgos são ainda mais, de brasileiros estamos muito bem, começaria pela maestria de sensibilidade do Alcides Nogueira que une com toda força a poesia e a loucura da vida e do sonho, e cito ainda Dionísio Neto, Bosco Brasil, Afonso Henrique-Soares, Roberto Alvim, Samir Yazbek, Sergio Roveri, são muitos... Dos internacionais que mais gosto destaco Anton Tchecov, Samuel Beckett e Sarah Kane. E há ainda os meus autores de cinema preferidos, principalmente o David Lynch, o Charlie Kaufman e o Woody Allen.
Letras: O que você acha essencial para um dramaturgo?
Lucianno: Acho que não tem nada que seja essencial para ninguém. Cada um tem suas necessidades. Mas posso dizer o que me é essencial: paixão. Paixão pelo Homem, pelo que ele pode fazer, por seus mistérios, por uma história que eu queira contar. A partir disso posso criar... E me é indispensável ainda saber o que está acontecendo hoje, acompanhar a produção artística (ler muito, ouvir muito, assistir muito), estudar tudo que desperta interesse, e sempre me analisar, olhar pra mim mesmo, pro que penso, refletir, me confrontar. E a segurança, que é importante e muito difícil conquistar, meu amigo e geralmente primeiro leitor, o ator e produtor Marcelo Albuquerque, que o diga... Antes eu tinha uma necessidade grande de receber um retorno imediato para satisfazer minha ansiedade e insegurança, hoje isso ainda existe, mas menos, fui ganhando segurança no que faço. Acreditando no meu teatro. E acho importante para qualquer dramaturgo, aliás, para qualquer pessoa, se perguntar sempre �o quê� e �como� se quer dizer, mesmo que a criação seja por um jorro inconsciente (daí se pergunta depois, se afirma o desejo de falar aquilo).
Letras: Você tem acompanhado muitas mudanças nas produções teatrais, tais como a Lei Rouanet, Lei Mendonça, Programa Municipal de Fomento para a cidade de São Paulo e agora o PAC estadual? Qual sua opinião e avaliação sobre estas políticas?
Lucianno: Estou há pouquíssimo tempo morando em São Paulo, mas minha impressão do Fomento, acompanhando de fora, é que o programa tem um ideal muito importante que é esta valorização da pesquisa continuada, do trabalho de grupo, onde, acredito, o teatro mais se alimenta e onde está a base de qualquer mercado teatral. Sobre a Lei Mendonça e o PAC do Estado, ainda não tenho informações o suficiente para avaliá-los. No caso da Lei Rouanet, acho que temos um grande problema. A Lei de Incentivo Fiscal Federal é necessária, mas acredito que está completamente equivocada: ela beneficia muito as empresas que ganham em retorno de marketing patrocinando peças com atores de grande apelo junto ao mercado consumidor; mas o teatro se beneficia muito pouco com a Lei, (salvo louváveis exceções) o que se vê é o investimento das empresas sempre buscando lucro (ainda que indireto através do marketing) em peças que apresentem retorno comercial, não há na maioria dos casos um foco verdadeiramente artístico por parte dos empresários. Acho absurdo que tenhamos que tratar com diretores de marketing nossas artes, e dizer-lhes o quanto ela é rentável mostrando projeções, clippings e gráficos. O antigo mecenato que inspira a Lei Rounet era baseado justamente no contrário: no auxílio ao artista cuja obra não pleiteava retorno comercial diretamente. A liberdade democrática de cada empresa escolher no que investirá é muito boa na teoria, mas na prática a vejo ser deturpada, e o investimento escoar naquilo que lhe trará sempre mais retorno. O dinheiro dos investimentos é imposto, é público, nos pertence e deveria ser democratizado realmente.
Letras: Se fosse convidado a dar uma idéia sobre lei de fomento ou de renúncia fiscal para a produção teatral, o que diria?
Lucianno: A Lei do Fomento eu acho está num bom caminho, mas pelo que acompanhei na última reunião que estive presente aqui em São Paulo, se faz necessário um reajuste de verba e de número de grupos contemplados. E sou a favor da quebra de sigilo sobre a votação, expondo os votos de quem participa do júri selecionador em qualquer programa de incentivo desse tipo. Acho que fica mais transparente e responsável desta forma, por mais que possa causar aos participantes algum constrangimento pessoal. Sobre a Lei Rounet e outras de renúncia fiscal, se eu acreditasse que não fosse se transformar numa �panela� com direito a censuras e coleguismos políticos, eu diria que o ideal seria que todas as empresas pagassem integralmente seus impostos ao Governo Federal e este sim fizesse o repasse e divisão da verba ao teatro, ao cinema, às artes plásticas, à música, ao circo, em partes iguais (afinal cada arte dessas tem um nível de visibilidade completamente diferente da outra e sempre vai ser mais rentável para as empresas investirem na de maior alcance) e selecionando os projetos por suas propostas artísticas e não comerciais. Mas infelizmente não acredito que o Governo Federal esteja preparado para isso.
Letras: O que mais lhe agrada no �fazer teatral�?
Lucianno: Além de poder me comunicar, eu diria que é a delícia que é encontrar as pessoas certas, descobri-las durante o processo e deixar-me descobrir por elas, teatro é conhecer pessoas, idéias e vidas, e da junção delas emergir um acontecimento. A comunhão entre pessoas. Primeiro entre os fazedores teatrais: autor, diretor, atores, técnicos, produtores... Depois, destes todos com o público que comunga o teatro, o recebe no corpo para entrar na alma. Para mim o teatro é este encontro, assembléia, rito, e como artista me interesso em provocar o público, o levar à reflexão, mexer com seus instintos e ideologias, tirá-lo da comodidade. Me agrada o riso nervoso, o incontrolável, não o riso pela graça apenas. Não acredito no teatro como entretenimento ou lazer, não para mim, mas respeito quem acha o contrário e o faz com sinceridade.
Letras: Que �dica� daria a quem está começando a trilhar os caminhos da dramaturgia?
Lucianno: Buscar sua verdade, sempre. Gostem as pessoas ou não. Colocar sua verdade essencial no que faz, fazer só aquilo que realmente acredita. E daria então duas dicas que formam uma grande contradição: uma é mostrar seu trabalho, sempre, no máximo de ocasiões que forem possíveis, e permitir que o público se coloque, dialogar com ele; e a outra é, parafraseando algo que li do Gerald Thomas nos anos 90, não dar ouvidos às opiniões sobre sua arte, não se levar pelas críticas ruins, nem os bons elogios (o que é diferente do incentivo). Seguir no que se acredita, porque só assim se pode construir um trabalho verdadeiramente autoral, pesquisar-se e escrever o que se deseja de verdade, achar o essencial. E quanto mais fundo se vai nisso, mais belo é, ao meu ver. Conseguir seguir as duas dicas deve ser uma ótima idéia. Ainda acho que a sinceridade de ser quem se é de fato, é o melhor caminho para o Homem.
Letras: Quais são suas expectativas artísticas com sua mudança do Rio para São Paulo?
Lucianno: A primeira delas é mostrar meu trabalho teatral, e comecei muito bem lendo duas peças com vocês no Letras Em Cena, com quatro atrizes maravilhosas e amigas queridas (Denise Del Vecchio, Fernanda Azevedo, Maíra de Andrade e Renata Jesion). Acho que foi uma entrada com pé direito no palco paulistano. Agora é me concentrar e batalhar a encenação destas e outras peças, estabelecer contato com a classe paulistana, conhecer outros dramaturgos, e diretores, atores, produtores. Produzir nosso trabalho é sempre o mais difícil (e de certa forma desesperador às vezes), espero conseguir fazer isso aqui em São Paulo em breve e com boas parcerias. Outra expectativa é poder fazer teatro aqui, no Rio, pelo Brasil, por qualquer lugar: espalhar meu teatro pelo mundo, me espalhar por aí. Porque meu teatro sou eu. Além de querer dialogar com outras artes: como a ópera, o audiovisual, as artes plásticas e a literatura. E peço que Baco não me deixe faltar o vinho da paixão para continuar nessa luta da vida.

segunda-feira, março 24, 2008

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO 2008

27 de MARÇO de 2008





Robert Lepage, actor, encenador e dramaturgo canadiano é o autor da Mensagem para o Dia Mundial do Teatro 2008. Segue-se a mensagem por ele escrita, com tradução e desenho de Francisco Luz, extraída do blog http://utpico-e-desalmado.blogspot.com/2008/03/dia-mundial-do-teatro-2008.html:



Existe um sem número de hipóteses sobre a origem do teatro, mas a que mais me exalta tem a forma de uma fábula:
Uma noite, na alvorada dos tempos, um grupo de homens juntaram-se numa pedreira para se aquecerem volta de uma fogueira e para contar histórias. De súbito um deles lembrasse de utilizar a sua sombra para ilustrar a história usando a luz das chamas, ele fez aparecer mas paredes da pedreira personagens maiores que a vida. Os outros, maravilhados, foram reconhecendo por sua vez o forte e o fraco, o opressor e o oprimido, o deus e o mortal.
Nos nossos dias, a luz dos projectores substituiu o fogo da lenha inicial, e a maquinaria de cena, os muros da pedreira. E apesar das diferenças para certos puristas, esta fábula lembra-nos que a tecnologia estava na origem do teatro e que ela não deve ser entendida como uma ameaça mas como um elemento unificador.
A sobrevivência da arte teatral depende da capacidade de se reinventar, integrando novas ferramentas e novas linguagens.
Senão, como o teatro poderia continuar a ser testemunha de grandes assuntos da nossa época e promover o entendimento entre as pessoas, se ele não tiver um espírito de abertura? Como poderia ele se orgulhar de oferecer soluções para os problemas de intolerância, da exclusão e do racismo, se, na sua pratica, resiste a alguma fusão e a toda a integração?
Para representar o mundo em toda a sua complexidade, o artista deve trazer formas e ideias novas, e confiar na inteligência do espectador, capaz, ele, de distinguir a silhueta da humanidade no seu perpétuo jogo de luz e sombra.
É também verdade se brincarmos com o fogo, podemo-nos queimar, mas podem-nos igualmente fascinar e iluminar.



ROBERT LEPAGE Homme de théâtre

BIOGRAFIA DE ROBERT LEPAGE

Robert Lepage é um dos encenadores teatrais de maior prestigio no mundo. Nascido em Quebec em 1957, estudou no Conservatório de Arte Dramática de Quebec e desde 1982 vem atuando como escritor, ator e diretor, sendo considerado um dos mais proeminentes embaixadores culturais do Canadá.
Através de sua companhia teatral, Ex Machina, é responsável por alguns dos espetáculos mais inovadores e fascinantes dos palcos contemporâneos: The Seven Streams of the River Ota, Needles and Opium, The Far Side of the Moon, Tectonic Plates, The Dragon Trilogy, The Polygraph e Elseneur (Elsinor).Entre outras atividades, assinou em 1993 a direção artística da turnê mundial de Peter Gabriel, dirigiu MACBETH e A TEMPESTADE, ambos de Shakespeare, em japonês, com os atores do Tokyo Globe Theatre e uma audaciosa versão de SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO no Royal National Theatre de Londres.
Lepage vem experimentando todas as linguagens possíveis, incluindo o uso da Internet como expressão artística. Quem quiser ouvir suas idéias sobre o assunto, basta acessar o seguinte endereço:
http://radio-canada.ca/branche/v4/89/lepage.htm
Em 1995, Lepage estreou seu primeiro longa metragem, LE CONFISSIONEL, no Festival de Cannes, fora de competição. O filme inaugurou também a edição anual do Toronto International Film Festival e ganhou os prêmio GÉNIE (o Oscar canadense) de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Realização Artística de 1996.

...

(extraído de http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/opus47.htm )

NOTA - Lamentavelmente, ainda não possuimos a habitual Mensagem escrita por um português.

quarta-feira, março 19, 2008

Cantata para o honorável bandido chileno JOAQUIN MURIETA


Inserida na programação da “Primavera do Teatro” * ,
o Teatro Art’ Imagem irá estrear a sua nova criação
Cantata para o honorável bandido chileno Joaquín Murieta
de Pablo Neruda, encenação de Roberto Merino

nos dias 27 e 28 de março, (quinta e sexta), pelas 22:30, no Fórum da Maia
M/ 12 anos preço de bilhete simbólico: 1 € - inf e reservas 96 020 88 19 ou 22 208 40 14

* Tendo como inspiração o Dia Mundial do Teatro - que se comemora a 27 de Março – a Primavera do Teatro pretende articular o teatro com outras formas de expressão artística: as artes plásticas, a literatura, o vídeo e o cinema.
Trata-se de uma iniciativa do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Maia e do Teatro Art' Imagem,em colaboração com a Biblioteca Municipal Dr José Vieira de Carvalho A 2ª edição deste evento decorre do dia 25 a 28 de março 08 na Maia.


Cantata para o honorável bandido chileno Joaquín Murieta

Joaquín Murieta é um emigrante chileno (segundo Pablo Neruda) que chega à Califórnia em 1830 durante a Febre do Ouro. Em vez de oportunidades, Murieta encontra racismo e discriminação; primeiro, com a aprovação de uma lei que obrigava os mineiros latino-americanos a pagar um pesado imposto; depois, com a violação e assassinato da sua mulher, Teresa. Impossibilitado de ganhar a vida legalmente, Murieta junta-se a um bando e torna-se uma figura lendária, eternizada como exemplo de rebeldia perante a injustiça, sendo morto em 25 de Julho de 1853 por um grupo de “rangers”.
Teatro, poema épico, cantata dramática, “oratória insurreccional” – Fulgor e Morte de Joaquín Murieta (1965-67), a partir do qual se fez esta cantata, continua, ainda hoje, a criar embaraços aos fanáticos da catalogação, desarmados pela indisciplinada originalidade desta obra escrita por Pablo Neruda, um dos pais fundadores da literatura latino-americana do séc. XX.

As palavras de Neruda, em canto e movimento, num teatro em estado puro em que o actor é o verdadeiro protagonista e se elege a poesia como um caminho possível para a remissão do mundo.

segunda-feira, março 17, 2008

20 de MARÇO DE 2008 - DIA DO TEATRO ASSOCIATIVO


MENSAGEM/2008

Comemorar o dia de 20 de Março, como Dia do Teatro Associativo
(dos Amadores de Teatro das Associações), deveria ser um compromisso.

Não só de todos quantos amam e vivem o Teatro, mas principalmente de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, beneficiam desta vertente Cultural, que movimenta milhares de pessoas e aglutina as mais díspares expressões do carácter humano, através dos tempos.

Se fazer Teatro de Amadores é ter o privilégio de poder crescer culturalmente e de se poder dividir nas mais diversas identidades e caracteres, é ter também a grande possibilidade de entrar no mundo fantástico dos sonhos.
Por que os actores, são o veículo que actualiza, em cada instante da sua representação, os sonhos do dramaturgo e, por consequência, todas as esperanças e solidões do nosso mundo.

E são estas vivências culturais, esta multiplicidade de identidades, este decifrar de sonhos que os actores do teatro de amadores exibem e entregam, de corpo inteiro, sem outra contrapartida que não seja o respeito, o aplauso e o carinho do público.

É isto que os faz continuar, com tenacidade e teimosia, por este caminho lúdico e lúcido, semeado de tantas certezas, mas também repleto de tantos obstáculos e desenganos.

No palco da vida, o Teatro de Amadores sempre tem vivido dramas pungentes, protagonizado grandes comédias e, acima de tudo, tem deparado com um sem número de “farsas”, que cada vez mais lhe trocam as voltas e o obrigam a preparar as “cenas” seguintes no grande Palco a que chamamos improviso.

Porque o Teatro de Amadores sempre cresceu no seio das Associações, são visíveis e palpáveis as grandes dificuldades que atravessa neste momento, derivadas da falta de reestruturação e adaptação às novas realidades sociais que as Associações Culturais e de Recreio, muitas ainda não conseguiram efectivar.

A mobilidade constante dos indivíduos, a parca oferta de alternativas, a dificuldade em consolidar Direcções e demais Corpos Gerentes, aliados a uma oferta excessiva, a raiar a promiscuidade, por parte dos “media” e de outros sectores da sociedade, está a causar abalos incontornáveis na vida das Associações.

E se o Teatro de Amadores sempre foi o parente pobre das Associações, acusado tantas vezes de ser apenas “despesista” e de esvaziar as minguadas contas das Tesourarias, ele é hoje, em muitos casos, a trave mestra que evita a sua derrocada.

Isto, por que os apoios (normalmente e quase sempre concedidos pelas Juntas de Freguesia), começam agora a ser canalizados para outras Secções que já não se bastam e estão em risco iminente de desaparecer.

E tudo isto só é possível, por que os Actores Amadores continuam conscientes de que o Teatro é uma das artes que mais facilmente penetra no espaço secreto que cada indivíduo reserva dentro de si para a cultura. Esse espaço incontornável, essencial ao franco desenvolvimento da mente e à clareza de espírito do homem, em todos os tempos e idades.

Precursores do sonho, com indómita vontade e persistência, uma infinidade de Actores e Actrizes, Encenadores, Técnicos e dezenas de outros Obreiros, continuam a vencer cansaços e dificuldades, frustrações e desesperos, com o espírito, a sabedoria e a coragem exigidas a quem se entrega de corpo e alma ao Teatro de Amadores das Associações.

Fazer Teatro de Amadores, é pois um acto heróico, um sucedâneo de violências e despojamentos, sublimados pela grande satisfação de colocarem num palco a grande epopeia da vida, numa panóplia de identidades, expressões e temas do mundo que nos rodeia.

Por isso, a todos aqueles que, com assumida paixão e total desprendimento, levam o Teatro a locais e comunidades que não têm outra possibilidade de usufruir de todo o bem que esta Arte pode dar, os meus sinceros parabéns e um muito obrigado por tudo quanto têm feito.

E como uma sociedade que pratica a ingratidão é uma sociedade que nunca será feliz, para o AMASPORTO que, todos os anos, enfrentando a teimosa surdez e a cegueira crónica dos poderes instituídos, e a incompreensível e obstinada ausência dos órgãos de informação, teima em honrar e prestigiar homens, mulheres e instituições, com o Prémio Talma–Por amor à Arte, a minha mensagem de carinho e toda a minha admiração.

Viva os Amadores de Teatro.
Viva o Teatro Associativo.

FERNANDO CAMPOS DE CASTRO (Poeta, dramaturgo e escritor nortenho)
20 de Março de 2008

Este dia comemorativo dos Amadores das Associações, tem o patrocínio da ASSOCIAÇÃO DAS COLECTIVIDADES DO CONCELHO DO PORTO

O Grupo de Teatro de Ramalde vai levar à cena, no DIA 22 PELAS 21,45 HORAS, no salão do CLUBE DOS FENIANOS PORTUENSES,.... o seu último trabalho “ UM PORTO CAMILO

Ainda integrado nas comemorações do DIA MUNDIAL DE TEATRO, o Grupo de Teatro de Ramalde vai estar no AUDITORIO DA PARÓQUIA DA IGREJA DE RAMALDE, com o patrocínio da Junta de Freguesia de Ramalde, no DIA 29 PELAS 15 HORAS, levando à cena o mesmo trabalho.

quarta-feira, março 12, 2008

OS 300 ANOS DE GOLDONI EM PORTUGUÊS


Prolongaram-se entre nós por 2008 as comemorações do tricentenário de nascimento do dramaturgo Carlo Goldoni (Veneza, 25 de Fevereiro, 1707 – Paris, 6 de Fevereiro, 1793), reformador do teatro italiano na transição da tradicional commedia dell’arte (da qual foi expoente maior, com peças como o canónico Arlequim, Servidor de Dois Amos) para um novo teatro, de recorte ‘humanista’ e ‘realista’, destinado a um também novo público, de burgueses estabelecidos entre a arraia miúda dos campielli e a aristocracia. As criações do Ano Goldoni (centrado nos teatros nacionais) incidiram em Fevereiro 2007 e Fevereiro 2008, com duas co-produções do Teatro D. Maria II/ Teatro dos Aloés/Centro Dramático de Évora, das peças Criadas para todo o Serviço e A Guerra, em admiráveis traduções de José Colaço Barreiros (a primeira com chancela do Dona Maria, a segunda inédita em livro, por falta de verba ou de interesse), encenadas por José Peixoto (Teatro dos Aloés), com elencos das entidades produtoras. O Teatro São João (TNSJ) apresentou, também a fechar e apenas no Porto, uma magnífica encenação do grande criador italiano Giorgio Barberio Corsetti (co-autor da cenografia, com Cristian Taraborrelli) para O Café. Esta produção utilizou o texto traduzido por Fernando Mora Ramos e Isabel Lopes, do Teatro da Rainha, já editado na nova colecção Campo das Letras/TNSJ.
Criadas para todo o Serviço, estreado no Teatro Garcia de Resende, em Évora, passou pela capital na sala da Politécnica há ano e pouco; A Guerra, após carreira no TNDMII, chega aos Recreios da Amadora neste início de Março. Ainda em Fevereiro e também à Politécnica, levou o Teatro das Beiras Molière, estreado na Covilhã, encenado por Gil Salgueiro Nave (não vi). De A Guerra digo ser excelente texto teatral e duma espantosa actualidade – talvez o melhor exemplo da aproximação entre Goldoni e Brecht, defendida por especialistas como um Giorgio Strehler. O espec-táculo foi montado, porém, sem meios nem condições de produção, padecendo de amadorismos, da leitura cénica à direcção de actores, à iluminação – o que não honra currículos como os do encenador José Peixoto (estagiário com Strehler no Piccolo Teatro di Milano, já encenara Il Campiello no ex-CDIAG/Malaposta, que dirigiu) e do iluminador Carlos Gonçalves. Entre ambas as produções e de pior qualidade revelou-se Goldoni Terminus, antestreado em Julho no TNDM II. Espectáculo multinacional muito abaixo de padrões mínimos de qualidade, embora destinado à Bienal de Veneza, que celebrou a efeméride. Direcção do franco-italiano Toni Cafiero, textos encomendados a Edoardo Erba (italiano), Rui Zink (português) e Tena Stivicic (croata), variações sobre aventuras de personagens de Goldoni.



PONTO CRÍTICO: Carta ao Ministro da Cultura





SENHOR MINISTRO: COITADO DO TEATRO NACIONAL!



1. Agora que a nova equipa dirigente do Ministério da Cultura se encontra a estudar os dossiers herdados da catastrófica gestão anterior, é chegada a altura de, uma vez mais, a opinião pública que-ainda-tem opinião (antigamente, a palavra “opinião” significava, correntemente, “orgulho”, “vaidade”, “cuidado com a imagem”) voltar a pronunciar-se sobre um desses tópicos crónicos na cultura portuguesa: a questão dos teatros públicos.
Pelo lado da música, Augusto Seabra, no seu blog, e Ruy Vieira Nery, em suportes e circunstâncias variados, constituem algumas das raras vozes que perseguem uma incansável missão de debate e de contundente esclarecimento. Pela dança, temos ouvido, constantemente, o crítico Tiago Bartolomeu Costa a fazer o ponto da situação institucional.
O teatro, porém, vítima da sua própria transversalidade e advogado “hibridismo”, perdeu lugar e vozes de legitimação e raros são ainda os críticos, os jornalistas ou os ensaístas que enfrentam a incómoda (e pouco remuneradora) tarefa de investigar, informar e divulgar as mazelas que tingem o tecido teatral português contemporâneo.
Uma pequena excepção aconteceu, porém, no sábado 1 de Março p.p. no semanário Expresso de boa memória.
Com algum destaque, o Primeiro Caderno ostentou nas suas colunas um pequeno e circunspecto artigo, assinado pelos jornalistas Cristina Margato e Hugo Franco, intitulado “Directores do D. Maria em Rota de Colisão” (p. 25), onde se levanta a questão de ter o “recente aluguer do Teatro Villaret por parte do D. Maria [agudizado] o mal-estar entre os membros do conselho de administração do teatro nacional”. Interrogadas, desassombradamente, fontes muito próximas do Teatro Nacional que reivindicaram o anonimato, principalmente sobre o que teria ficado por dizer naquela notícia, as respostas foram todas na mesma direcção:
A matéria em si – ou seja, o aluguer do Teatro Villaret ao empresário Vasco Morgado, Júnior pela módica quantia de 11.000 euros mensais e o assumir de obras de adequação a normas (mínimas) de segurança (cerca de 329.0000 euros) – não será, então, senão uma ponta de
um gigantesco iceberg a que se pode chamar “a dívida do Teatro Nacional” (que algumas dessas fontes calculam em cerca de um milhão e meio de euros). Fácil me foi concluir que, afinal, o que os jornalistas não disseram claramente é que os motivos para a referida “rota de colisão” em que os dois membros do Conselho de Administração [Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira]
entraram em Fevereiro de 2007 não se esgota no aluguer de um edifício patrimonial mas privado – o Teatro Villaret – mas que essa colisão se estende (e estará documentada em actas e relatórios) a toda uma gestão, artística e administrativa, que, com o conhecimento prévio da Ministra Pires de Lima e do seu Secretário de Estado, vem afundando o Teatro Nacional D. Maria II na mais profunda depressão e na mais inexplicável mediocridade e mau nome nacional e internacional.
2. Não é segredo para ninguém, realmente, que os Teatros Nacionais têm vogado nas ondas erráticas de um Estado que, historicamente, nunca teve jeito para gestão cultural, mas também não é segredo para ninguém que a actual gestão do Teatro Nacional D. Maria II vem sendo protegida, amparada e encoberta nas suas vicissitudes (dívidas a credores azedos, como foi o caso do Teatro Mundial/Almeno Gonçalves que envolveu tribunal e acordos, falta de pagamento a tempo e horas aos funcionários, falta de pagamento a artistas exteriores, incumprimento de compromissos de programação nacional – vejam-se as programações anunciadas e as realizadas - mas também internacional, etc., etc., etc.) pelo actual Governo e pela autarquia lisboeta.
O grande aparato com que Isabel Pires de Lima e Mário Carvalho apresentaram, em Janeiro de 2006, a “nova linha estratégica” para o TN e a subsequente defesa da vocação deste para o “grande público” em oposição ao que o Ministério chamou então “público restrito” (faltando, no entanto, fundamentar se para atingir o“grande público”, cuja dimensão nunca foi definida, se deveria levar o Teatro Nacional D. Maria II a ser uma duplicata com mais dinheiro do Teatro da Trindade vocacionado para o entretenimento, o amadorismo e as produções artisticamente menos relevantes como é o caso, tremendo, do Memorial do Convento, mais uma das reprises no Nacional da programação do INATEL) deixavam prever a catástrofe que veio a acontecer.
3. Seja qual for a dimensão exacta da dívida do Teatro Nacional, sejam quantas forem as cenas com os credores, sejam quais forem as falhas de compromissos assumidos, uma coisa me parece certa (e concordo com o que publicamente afirmou Clara Ferreira Alves sobre a matéria), e a José António Pinto-Ribeiro só restam duas alternativas: ou faz como Pires de Lima que, por sobrevivência política, não lia – ou não reagia - aos Relatórios e outras informações que lhe chegariam ao gabinete ou, ousando enfrentar algum PS (Jorge Coelho?) e alguma Maçonaria, tem de pedir contas à administração do Nacional. O crescente derramamento do orçamento no aluguer de espaços (Teatro Villaret, Teatro da Politécnica, Pinhal Novo, Cartaxo, Amadora, Estação do Rossio/REFER, etc.) para apresentação de espectáculos sem critério artístico consistente, o recurso a endividamento com empréstimos, a terceiromundista protecção a projectos estrangeiros sem equidade de contrapartidas (França, Brasil), a manutenção de um teatro sem acolhimento condigno (restaurante, café, etc.) ou o abastardamento da sua fachada com vedetas de futebol, são alguns dos aspectos a solicitar as urgentes medidas que se esperam de um Ministro da Cultura com mundo e discurso cultural.
4. E já se fazem apostas no campo: será que o Ministro chamará Ricardo Pais, funcionário do Ministério da Cultura e precioso director do Teatro Nacional S. João, para retomar, com novos contornos, o projecto antigo de um Super-Director dos Teatros Nacionais? Para o assessorar prevejo dois Carlos: o actor-encenador Carlos Pimenta ou o autor-encenador Carlos Pessoa.
Veremos quem ganha mais esta aposta entusiasmante.




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SUCESSO X FAMA


Por Paulo Sacaldassy - 24/02/2008

O que é mais importante para um artista? O sucesso, ou a fama? É uma dúvida que assombra a maioria das pessoas, principalmente as que iniciam na arte, seja ela qual for, teatro, cinema, dança, etc. Um grande amigo meu, deu-me uma definição que acabei achando perfeita: “Sucesso é ser bem sucedido naquilo que nos propomos fazer” Ele tem razão! Isso é a mais pura verdade!
Muita gente que pensa em fazer arte hoje em dia, e procura principalmente o teatro, chega com a intenção de poder estar o mais rápido possível, fazendo parte da novela adolescente da televisão, e assim, se tornar a celebridade instantânea do momento. Será que essas pessoas buscam o sucesso, ou querem somente a fama?
A fama e a notoriedade a qual muitas pessoas são guindadas da noite pro dia, só demonstram que o conceito está invertido, pois faz as pessoas acreditarem que o mais importante é a fama, que ela sim dará o sucesso almejado. Mas, o que faz essas pessoas serem famosas, ganharem popularidade, se quase sempre elas não têm nada para mostrar, além de bíceps e silicones?
É triste ver pessoas submeterem-se ao ridículo de se exporem em programas do tipo “reality shows“, afim de obterem apenas seus quinze minutos de fama, e depois? Depois, sempre acabam fazendo qualquer coisa para continuarem na mídia, pois não existe nenhum trabalho consistente que justifique tal exposição.
Muitos passam uma vida inteira longe dessa fama efêmera e passageira, mas, são extremamente bem sucedidos naquilo que se propuseram. Quantos escritores são bem sucedidos, premiados, consagrados, renomados, e não têm um por cento da fama dessas celebridades instantâneas? De certo, você já ouviu falar em alguns deles. Você acha que eles não têm sucesso?
Existem uma diferença enorme no conceito de fama e sucesso que se tem hoje em dia, e muito disso, se deve à televisão, que pinta o artista como um semi-deus, que vive uma vida de rei e rainha, regada a festas e badalações, onde o mais importante é o vestido do estilista famoso, ou o novo par de silicones, ou ainda, o romance com fulano de tal, e daí?
É muito duro alcançar o sucesso, não é uma tarefa simples, mas quem o quer, deve buscá-lo dia-a-dia, incansavelmente, sempre focado no objetivo de realizar aquilo que se propôs fazer, e pelo qual, espera conseguir agradar o maior numero de pessoas, para assim então, receber o reconhecimento e conquistar a fama.
Não vale a pena perder tempo correndo atrás de quinze minutos de fama, pois eles chegam e vão embora do mesmo jeito. Um trabalho contínuo e com um objetivo, pode até
demorar para alcançar o seu reconhecimento e conseguir o sucesso, mas, com certeza, obterá muito mais do quinze minutos de fama.


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No mesmo site pode ainda ler (e baixar) peças de teatro


O ACTOR E SEU PERSONAGEM



Por Paulo Sacaldassy - 02/03/2008
(foto de Cacilda Becker)

Uma boa interpretação agrada muita gente, principalmente quando o ator tem a medida certa do que pede o personagem, sem estereótipos, sem exageros dramáticos, deixando claro, o quanto emprestou de seu corpo e de suas emoções para compor e dar vida a uma outra pessoa.
O pessoal que está começando na arte, e anseia loucamente aparecer na televisão, precisa ter a consciência, de que o trabalho de um ator, vai muito além do que ter diálogos decorados e falados de maneira correta e no tempo certo, precisa-se conhecer o personagem, talvez mais do que a si mesmo.
Pode ser que o grande problema de quem está começando e até de muitos que estão na arte há algum tempo, seja justamente este, o não conhecimento do personagem o qual interpreta, fazendo com que sua atuação pareça sempre artificial, deixando a leve impressão de algo falso.
Quantos espetáculos com bons textos não cativam o público por conta de uma má interpretação? E quantos espetáculos com personagens comuns, acabam cativando o público por conta do trabalho do ator, que por conhecer o seu personagem, o faz uma pessoa importante, ao ponto dele merecer que sua história seja contada?
Muitos dizem que na televisão não é possível que o ator possa compor um personagem com todas as nuanças, pode ser que nas novelas isso não ocorra, mas nas minisséries, isso é muito possível, tanto que na minissérie “Queridos Amigos”, alguns atores estão mostrando o quanto são talentosos.
E por quê? Porque com certeza, eles estudaram os seus personagens, e os conhecem como se fossem os próprios, e quando então entram em cena, dão-nos a impressão, que interpretar é algo tão simples como andar para frente.
Para o ator é fundamental conhecer o seu personagem, ás vezes mais do que a si próprio, pois só assim, ele poderá mostrar ao público, o quanto é talentoso e competente na sua arte de interpretar.
E é bom lembrar que uma boa história se faz com bons personagens, e só podemos contar essa história se conhecermos de fato os personagens que a viverão.


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quinta-feira, março 06, 2008

VÂNIA MENDES ENCENA FREI LUIS DE SOUSA

VÂNIA MENDES
Finalista do Curso de Teatro da ESAP, encena FREI LUÍS DE SOUSA com o Grupo de Teatro da Escola Secundária de Valongo.
O espectáculo poderá ser visto, em 15 de Março, pelas 15 e pelas 21,30 horas no
SALÃO PAROQUIAL DE VALONGO

COMENTÁRIO: Por tão bem conhecermos o perfil desta Encenadora, só podemos augurar um grande sucesso.

VÂNIA MENDES terá, por certo, uma carreira brilhante a trilhar e se disso pode legitimamente orgulhar-se, mais deve orgulhar-se a Escola que a tem acolhido.

Muita merda, Vânia!

segunda-feira, março 03, 2008

BANKUITEATRO Apresenta LENDA DO REI SALOMÃO




A lenda de Salomão
Espectáculo com textos de ALFONSO SATRE e FERNANDO PEIXOTO


as coisas pertencem a quem delas trata bem
as coisas pertencem a quem se esforça por melhorá-las,
a quem as vê constantemente,
a quem as ama e as rega com o suor do seu rosto



O GRUPO DE TEATRO DO BES PARTICIPOU NO 66º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA «HONRA E DEVER» EM VILAR VILA DO CONDE EM 26 DE FEVEREIRO.

AGENDA CULTURAL PREVISTA


- MARÇO 14 E 15 NO CENTRO PAROQUIAL DO PADRÃO DA LÉGUA.
- 26 DE ABRIL - ESCOLA DRAMÁTICA MUSICAL DE VALBOM.

Encenação de:
Manuela Moreira e
Francisco Santos

Cenografia, Figurinos, Adereços e Grafismo:
Susana Azenha
Pedro Gomes

Execução de Guarda-roupa:
Branca Elísio

Sonoplastia:
Carlos Adolfo
Vladimiro Alcindo

Operador de Som
Sandro Lima

Operador de Luz
Bárbara Miranda

Actores:
Ana Alves; Ana Lima; Bárbara Miranda; Catarina Oliveira; Filipe Vilaça Santos; Francisco Vilaça Santos; Igor Silva; Márcia Cortez; Marly Pinho; Pedro Azevedo; Tiago Faria

NOTÍCIAS - 1









Criamos esta Secção para ir facultando notícias com algum interesse para as gentes do Teatro



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José Martins


Só em 1998 é que o actor José Martins se iniciou na televisão. Mas desde 1970 que pisa as tábuas do palco dos teatros, sendo um dos fundadores da Companhia de Teatro de Almada. Em 1985 funda o Teatro da Malaposta. Em 1990, muda de armas e bagagens para Viana do Castelo, onde funda e dirige o Teatro Noroeste. Regressou a Lisboa há cinco anos. Em TV, trabalhou em "Olhar da Serpente" e "Jóia de África". Fez direcção de actores em "Mistura Fina", "Ninguém como tu", "Dei-te quase tudo" e "Tempo de viver".
Idade 58 Profissão Actor e encenador (in JN de 03 de Março 2008)


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LEIA O NOVO NÚMERO DE TEATRALIZARTE: http://www.teatro.meti2.com.ar/
PODE FAZER DOWNLOAD


ENTRENAMIENTO ACTORAL PARTE 1
PARTES 01 /
02 / 03 / 04 / 05 / 06 / 07 / 08
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ENTRENAMIENTO ACTORAL
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ENTRENAMIENTO ACTORAL. Eric Morris
Capítulo 1: SER
TEATRO TÉCNICO PARA ACTORES GRUPOS Y SALAS PRODUCIDA POR CARLOS CANAVESE (R) 1999

-Pedagogía teatral independiente-"TEATRALIZARTE"-ONG de teatro conurbano al mundo-
Personería Jurídica Nro. DPPJ 18723 Expediente 21209-63936/7/1 Legajo 151515 Matricula 32196
-Av. 44 Pte. A. ILLIA 1525-Maipú-San Martín-Conurbano Prov. Bs. As.-Argentina-TEL 011 15 5800 -6522/011 15 5021-9514
Principal/ PEDAGOGÍA: Temas/ VIDEOS: Temas/ ESCENA: -Actuación -Vocalizar -Respirar -Mascara -Psicoteatro -Ejercicios -Concentración -Relajación -Control -Teatro Sexual/ DIRECCIÓN: Técnicas/ TÉCNICA: Producción - Difusión -Sonido -Iluminación -Escenariografia -Vestuario -Maquillaje -Títeres/ DRAMATURGIA: Técnica- Géneros- Literatura- Narrativa- Poesía- Comedia/ ADMINISTRACIÓN: Grupos -Personería -Salas/ FOTOTEATRO: Obras -Actores -Salas -Logos -Mascaras -Libros -Revistas -Programas -Teatromundo/ HISTORIA ARGENTINA: Cronología -Artistas -Dramaturgos -Escenas -Teatros -Posters -Crisoles/ - HISTORIA UNIVERSAL: Cronologías -Culturas/ TEATRISTAS: Referentes -Notables -Legados/ DICCIONARIO: Palabras/ BIBLIOTECA: Obras(D) - Obras(A)-Miniobras -Actos -Relatos -Poemas/ INFORMES: Guía Tm2 -Infonews - Cuadernos -Interior -Pensamiento -Editorial/ NOSOTROS: El Lugar -Realizaciones -Cursos -Reconocimientos -Staff -Trashumante -Links/

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PARA DOWNLOAD:


EM http://www.celcit.org.ar/

033. Tres nuevos textos teatrales en http://www.celcit.org.ar/


Tres nuevos textos teatrales, de lo mejor de la dramaturgia iberoamericana contemporánea, a tu disposición en la sección Publicaciones/Dramática Latinoamericana de www.celcit.org.ar ; desde allí podés bajarlos a tu PC, sin cargo alguno.Ya son más de 260 los textos publicados, procedentes de Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Cuba, España, Francia, México, Perú, Portugal, Puerto Rico, Uruguay, Venezuela...

Los nuevos textos son:269. Alicia. Raquel Diana (Uruguay)270. Café de lobos. Jorge Ricci (Argentina)271. Cuadros de humor. José Luis Alonso de Santos (España)

Últimos títulos publicados:


249. Dollwirst. Juan Martins (Venezuela)

250. Pequeño cuento deportivo. Alejandro Zingman (Argentina)

251. Dime que tenemos tiempo. César de María (Perú)

252. Punto y coma. Estela Golovchenko (Uruguay)

253. Boca Ratón. Roberto Perinelli (Argentina)

254. Dos amores y un bicho. Gustavo Ott (Venezuela)

255. A ver un aplauso. César de María (Perú)

256. Passport. Gustavo Ott (Venezuela)

257. Ignacio & María. Mara Mansur (Cuba)

258. El último barco. César de María (Perú)

259. Pony. Gustavo Ott (Venezuela)

260. Charlotte Corday. Nara Mansur (Cuba)

261. Arritmia. Leonel Giacometto (Argentina)

262. Tolstoi. Ricardo Prieto (Uruguay)

263. Tren hacia la dicha. Amado del Pino (Cuba)

264. El zapato sucio. Amado del Pino (Cuba)

265. El sueño de Dios. José Luis Arce (Argentina)
266. La niña que moría a cada rato. José Luis Arce (Argentina)


267. A paso lento. Gracia Morales (España)

268. Alcanzar el unicornio. Guillermo Schmidhuber (México)

Además, desde www.celcit.org.ar pueden bajarse los 17 últimos números de la revista Teatro/CELCIT, y los 5 volúmenes de la colección Teatro: Teoría y práctica.

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Teatro de Marionetas do Porto celebra 20 anos com programação especial

Café-Teatro da ESMAE (Porto), 8 a 19 de Março, 23h

O Teatro de Marionetas do Porto festeja em 2008 o seu 20º aniversário, com uma programação cujas prendas são para os espectadores. Ao longo de todo o ano vamos poder rever alguns dos espectáculos mais emblemáticos desta companhia dirigida por João Paulo Seara Cardoso. A programação completa pode ser consultada no sítio da companhia, mas esta semana, de 8 a 19 de Março, no Café-teatro da ESMAE, o destaque vai para a peça Os Três Porquinhos, criada em 2000. Não se deixe enganar pelo que já conhece do conto infantil. Estes três porquinhos são piores que o lobo. Leia na OBSCENA #5 um retrato da companhia da autoria de João Paulo Sousa.

Auditório de Serralves recebe peças de novos criadoresInter.Faces


- 6 de Março, 18h (conversa aberta);

- 8 de Março, 22h (espectáculo), Auditório de Serralves (Porto)


These Words are not My own é um trabalho co-criado por Alfredo Martins, Ruben Tiago e Paula Diogo, no âmbito do projecto Inter.Faces, da responsabilidade do Núcleo de Experimentação Coreográfica. A peça, que teve a sua primeira apresentação em Novembro passado em Montemor-o-Novo, apresenta-se este sábado, 8, no Auditório de Serralves, no Porto. Dia 6, às 18h00, os criadores reúnem-se para uma conversa aberta com o público. Leia na OBSCENA #9 o perfil de Alfredo Martins, assinado por Tiago Bartolomeu Costa.


Teatro radiofónico de regresso Três Mulheres de Sylvia Plath,


4 de Março, 21h, Antena 2
Dramaturgo e tradutor, Francisco Luís Parreira é também responsável pela coordenação de uma série de peças radiofónicas que têm sido apresentadas na Antena 2. A próxima, Três Mulheres, de Sylvia Plath, pode ser ouvida dia 4 de Março, às 21h. Leia na OBSCENA #9 uma entrevista a Francisco Luís Parreira conduzida por Mónica Guerreiro.







Biografia de Olga Roriz apresentada esta semana em Viana do Castelo


Olga Roriz de Mónica Guerreiro, 6 de Março, Biblioteca Municipal de Viana do Castelo
Mónica Guerreiro, uma das colunistas da OBSCENA, estará presente dia 6 de Março, na
Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, para apresentar Olga Roriz, o seu mais recente livro, a biografia da coreógrafa Olga Roriz, que estará disponível ao longo do mês de Março nas livrarias com a chancela da Assírio & Alvim. O encontro contará, naturalmente, com a presença da biografada.--


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