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terça-feira, novembro 06, 2007

O CARNAVAL TEM UM REI

NOTA - Vale a pena ler este texto do brasileiro Augusto Boal, dramaturgo e grande encenador e teórico do teatro

Por Augusto Boal
Texto publicado na Revista Teatro/CELCIT. Nº 32

O Carnaval tem um Rei: o Rei Momo. A obesidade é uma doença, mas muitos gordos sonham em ser o Rei dos Doentes.
Francisco Alves foi o Rei da Voz, o futebol tem rei e, na Itália, até imperador, porque Adriano era o nome de um tirano que virou centro-avante. Existem Reis das Quadras, Rei do Rinque, Rei das Pistas.
Rei por toda parte: no Rio, um restaurante se chama Rei do Bacalhau; outro, O Bacalhau do Rei. Na Noruega, um dia jantei em um restaurante que se chamava Rei do Bacalhau em Soda Cáustica, que é uma forma local de se preparar esse peixe, enterrado uma semana em soda cáustica antes da frigideira – e depois de bem lavado, é claro. Delicioso.
No campo, o Rei da Soja; na cidade, o Rei na Noite.
Só fica faltando o Rei da Morte, mas em Porto Rico eu vi um anúncio na beira da estrada que jurava: “Para o seu defunto bem amado, melhor que o nosso cemitério, só mesmo um lugar no Paraíso, ao lado do Cristo Rei”.
Rainhas também proliferam: Rainha dos Baixinhos, Rainha da Uva, Rainhas de Beleza. Sem esquecer que a minha mãe era a Rainha do Lar.
Por que essa obsessão pelos títulos de nobreza? Em parte, ela reflete o desejo de sermos excelentes, superar barreiras, mostrar que somos capazes de muito mais: somos reis.
Quase sempre, porém, essa é uma forma agressiva de menosprezar os plebeus como nós, turba ignara, que só servimos para vassalos e para a produção de aplausos... ou para o lixo.
A Monarquia necessita de insígnias: a Coroa, além de mostrar que o rei é Rei, mostra que nós somos cabeças descoroadas. Coroar um rei significa roubar a coroa da nossa cabeça nua.
As Monarquias, por assim dizer, laicas, também existem no seio da República: na moda, no esporte, na economia e, sobretudo, nas Artes.
As Monarquias econômicas se sustentam no poder do dinheiro, e suas insígnias são os automóveis luxuosos, mansões com muros eletrificados, seguranças armados.
A Monarquia Artística se sustenta na Mídia que determina quem é Artista e quem não: só é Artista quem aparece na televisão e nas colunas sociais, que são as suas insígnias.
A Mídia faz supor que ser Artista é dom divino, coisa de elite, que só a própria Mídia tem a faculdade de descobrir e... vender. A Monarquia Artística faz parte da Economia do Mercado.
Arte, no entanto, é a própria condição humana — ser artista é ser humano. É a forma pela qual as crianças aprendem a viver em sociedade. Fazendo Arte: teatro, música, dança, pintura...
Fazendo teatro, as crianças compreendem as relações sociais entre pai e mãe, médico e doente, primo e irmão, polícia e ladrão... Improvisam cenas dentro do mais puro estilo de Stanislawky, cheias de emoção e memórias emotivas.
Não só teatro: toda criança é arquiteta e brinca na areia, construindo casas. Toda criança é artista plástica e, se lhe dão lápis de cor e papel, pinta. Se lhe dão massa 37
de modelagem, esculpe. Quando ouve música, até o bebê baila e ri feliz. É assim que se aprende a viver, bailando, porque somos todos bailarinos, artistas plásticos, cantores e atores, desde criancinhas.
Aprende-se a sorrir pela Arte: quando acerta, a criança ri o riso de felicidade; quando erra, o riso de quem descobre o erro. A criança que não ri até os três anos de idade, jamais conhecerá os prazeres da alegria, e viverá para sempre em preto e branco, sem as cores da felicidade.
O ser humano, porém, como qualquer animal, necessita de território para viver, mover-se, reproduzir-se. Poucos, porém, aprendem Solidariedade, a mais fácil das disciplinas.
Os predadores avassalam suas vítimas. A cada momento, inventam novo nome para designar a mesma predação: colonialismo, imperialismo e, agora, globalização. O Mercado, que é sujeito e mentor da globalização, invade a intimidade de nossas casas, na TV e nos jornais, na Internet e no telefone, para nos obrigar a comprar e recomprar os seus produtos.
O Mercado cria a moda e os padrões de Arte. Nega a verdadeira Arte, pois que Arte é a diversidade e não a reprodução ad infinitum da mesma idéia ou coisa.
O Mercado quer que compremos a mesma marca de tênis e o mesmo rosto de ator, a mesma lavadora de roupa usada pela atriz da telenovela, ou pela sua criada negra.
A globalização não quer globalizar a fraternidade, a medicina preventiva, a luta contra a fome. Quer criar Mercado e, por isso e para isso, não cria a mercadoria que vai satisfazer as necessidades do consumidor: cria os consumidores que vão satisfazer as necessidades do Mercado.
O Mercado quer destruir a Arte que nasce no coração de cada um de nós, e substituí-la pelo simulacro de arte exposto e proposto pela mídia, onde o nosso lugar é no auditório que aplaude sob comando, e ri quando mandado.
Para lutarmos contra a globalização temos que desenvolver, em cada um de nós, o artista que vive dentro de nós, e que foi amordaçado quando nos obrigaram à condição de apenas espectadores.
Para isso, os Pontos de Cultura1 são essenciais ao Brasil que se transforma — hoje, mais do que nunca —, porque eles permitem e estimulam o desenvolvimento artístico e intelectual de todos, e não apenas de alguns eleitos.
Os Pontos de Cultura são o exemplo máximo de Democracia, pois apóiam os núcleos que já existiam com seus próprios seus projetos, sem impor censuras ou limites.
Nos Pontos de Cultura, a Arte é essencial, até mesmo por uma razão científica, neurológica: porque existem Linguagens Informativas e Linguagens Cognitivas. Para a mais completa compreensão do mundo, temos que nos valer de todas.
Quero que fique claro: qualquer linguagem tem, como função essencial, transportar informações — fatos, idéias, emoções, sons, cores e formas. Toda linguagem é, portanto, Informativa. Outras, além das Informações e Conhecimentos que transportam, são, em si mesmas, Conhecimento.
Nas Linguagens Cognitivas, o Conhecimento é a própria Linguagem. A música, a fotografia, a dança, a escultura, a pintura, todas as Artes são Linguagens Cognitivas — pois Conhecimento não se reduz apenas àquele que pode ser verbalizado com palavras, mas inclui aqueles que são compreendidos pelas sensações e emoções.

Dou um exemplo: a partitura de uma canção está escrita em uma Linguagem Informativa que pode ser lida por todos que a conhecem; ela transporta informações sobre sons, tempos e claves. Ao executar essa partitura, ao realizar essas claves, tempos e sons, o pianista os traduz pela sua sensibilidade de artista e cria a canção que ouvimos e ressoa — esta é Linguagem Cognitiva. Na partitura, a canção é apenas informação; executada, sonora, é Conhecimento. Os significantes da partitura se traduzem nos significados da Arte do pianista.
Um quadro é Conhecimento, mesmo que nada se explique a seu respeito — basta que o espectador o sinta, perceba e frua. O histórico do quadro pode nos trazer Conhecimentos adicionais, modificando a percepção que dele fazemos. Ele, em si, no entanto, já era Conhecimento.
Se nos dizem que a modelo da Mona Lisa era uma distante e bela dama, ou frágil rapazinho enamorado do pintor, isto pode nos oferecer novos ângulos de observação e fruição desse quadro, provocando, em nós, novas reações e sentimentos. O quadro, porém, já nos havia proporcionado Conhecimento, isto é, já se havia integrado dentro de uma estrutura ampla de valores, idéias, emoções e razões que já possuíamos anteriormente em nossa memória ativa, consciente ou não.
A Informação, para se transformar em Conhecimento, deve ser associada a outras informações e valores que já possuímos e que lhe darão sentido e valor em um quadro moral e ético.
Conhecimento é a Informação estruturada que permite a tomada de decisões éticas, pois a ética é uma invenção humana que nos afasta dos instintos animais.
As informações do mundo exterior nos chegam pelos sentidos através do córtex cerebral, mas o que temos guardado no subsolo do nosso cérebro (paleomamífero), fruto de anteriores informações recebidas, vai influenciar nossas novas percepções, ao recebê-las. Se o nosso cérebro está inundado pelo lixo informativo, distorções e falsidades que nos jogam em cima os meios de comunicação e a publicidade, estas irão deformar o nosso precário entendimento.
Os Pontos de Cultura não se devem limitar a produzir a arte pela arte, mas devem situá-la dentro do nosso contexto histórico — os Pontos de Cultura são brasileiros e não correias de transmissão de ritmos, formas e idéias importadas, sem reflexão. Criemos a nossa arte, seja qual for, mas nossa!
Claro que podemos — e devemos! —, dialogar com outras formas culturais e com as artes estrangeiras. Diálogo e não imitação: isso deve ser feito antropofagicamente, como diria Oswald de Andrade. Devemos ser eruditos, pois erudição é o conhecimento das culturas alheias, mas, sobretudo, devemos ser cultos, criando a nossa!
A minha grande admiração pelo Projeto dos Pontos de Cultura vem do fato de que não nos obriga a nada, mas nos permite tudo: nesta confrontação de idéias, neste cotejo de tendências — que é o contrário da globalização! — eu tenho plena confiança na inteligência humana: creio em nós.
Nós aprenderemos a ser nós mesmos, e não aquilo que nos ordena a Mídia.
Seremos livres para criar: seremos artistas!


1 El gobierno de Lula, mediante el programa Cultura Viva, implementó el proyecto Pontos de Cultura (puentes de cultura): subvenciones a comunidades humildes otorgadas por concurso a los me­jores proyectos educativos comunitarios. En 2005 varios cientos de estos “puentes” funcionaban en la ciudad de Sao Paolo. (Nota de la Ed.)

terça-feira, outubro 30, 2007

BIOGRAFIA



Todo o meu nascer
foi prematuro.


Agora,
em meus filhos
me vou dando às luzes.


Descendo, sim,
dos que hão-de vir.

MIA COUTO - Maputo, 2006

AMASPORTO 2007




PROGRAMASPORTO




3 de Novembro--- Grupo de Teatro Contracorrente- Rio Tinto
24 de Novembro--Teatro Amador de Loureiro- Oliv.de Azemeis
1 de Dezembro ---Bankuiteatro- Grupo de Teatro do B.E.S.-Porto
15 de Dezembro-- Flor de Infesta- S.M.de Infesta
29 de Dezembro--Escola Dramática de Valbom- Gondomar
12 de Janeiro-----GRIC-Teatro da Lourocoop- Lourosa
19 de Janeiro-----ACGICTAR-Teatro e Cultura de Jovim- Gondomar
2 de Fevereiro----Companhia Teatral de Ramalde- Porto

3 de Fevereiro---Cerimónia de Encerramento
Atribuição dos “Prémio Talma”
Com a participação do Grupo Musical ”Tributo a Zeca Afonso”

Espectáculos (aos sábados-21,45h.) na Sala-Teatro do 26 de Janeiro
Encerramento- 16 horas –Auditório da Paróquia da Igreja de Ramalde

domingo, outubro 28, 2007

FESTOVAR 2007


FESTOVAR


Organizado pela Contacto, o Festovar – Festival de Teatro de Ovar data de 1994 e tem como principal objectivo a promoção do teatro no nosso concelho. Pela forma cuidada e bem sucedida como tem sido realizado, o Festovar conquistou a simpatia dos espectadores e é, actualmente, considerado um dos mais importantes acontecimentos culturais de Ovar. Organizado pela Contacto, o Festovar – Festival de Teatro de Ovar data de 1994 e tem como principal objectivo a promoção do teatro no nosso concelho. Realizado com o contributo dos grupos de teatro associativo mais qualificados do nosso país, o Festovar caracteriza-se por ser anual, temático e abrangente. Decorre nos meses de Outubro e Novembro, com a intervenção de figuras ligadas à cultura nacional e contempla todos os públicos: crianças, jovens e adultos. Ilustra-o um troféu e uma edição do Boletim Água Corrente. Pela forma cuidada e bem sucedida como tem sido realizado, o Festovar conquistou a simpatia dos espectadores e é, actualmente, considerado um dos mais importantes acontecimentos culturais de Ovar.O XIV Festovar - Festival de Teatro de Ovar decorre de 12 de Outubro a 01 de Dezembro de 2007 com espectáculos aos Sábados à noite (para adultos) e Domingos à tarde (para a infância e juventude). Todos os espectáculos decorrerão na Casa da Contacto – Rua Dr. José Falcão, 237 / 239; 3880-205 Ovar.


VEJA O PROGRAMA DO FESTIVAL EM http://www.contactovar.com/

segunda-feira, outubro 15, 2007

« O SENHOR DOS PALCOS »


Nome Completo: Paulo Paquet Autran
Natural de: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Nascimento: 7 de setembro de 1922
Falecimento: 12 de Outubro de 2007

Paulo Autran faleceu em 12 de outubro de 2007, vítima de parada respiratória decorrente de um enfisema pulmonar. Ele lutava contra um câncer e um enfisema pulmonar. Em 85 anos de vida, dedicou 57 às artes, com atuações em teatro, cinema e televisão. É considerado um dos gênios do teatro brasileiro. [...]
Paulo Autran nasceu no dia 7 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro. Aos 8 anos, mudou-se com a família para São Paulo. Nessa época, já cultivava um interesse pelo teatro, indo assistir a várias peças. [...]
O ator Paulo Autran diz que seu primeiro contato com o teatro foi aos 7 anos de idade, quando improvisou um figurino composto por calção e chinelos vermelhos e uns chifrinhos feitos por sua tia para interpretar um diabo, numa peça escrita por sua irmã mais velha. Autran conta que escreveu sua primeira peça aos 11 anos. Segundo diz o ator, aos risos, "As Onças da Jamaica" tinha uma avó muito velha, "mais de 30 anos, o auge da velhice na época".Apesar das brincadeiras de criança, em 1945, formou-se em Direito, pela Universidade de São Paulo (USP), tendo, inclusive, escritório próprio, mas abandonou a profissão em 1949 para dedicar-se ao teatro incentivado por Tônia Carrero. [...] A primeira peça da dupla, que sempre trabalhou em perfeita sintonia, foi "Um Deus Dormiu Lá em Casa", de Guilherme Figueiredo, que teve sua estréia em 13 de Dezembro de 1949. Logo em seu primeiro papel, Autran foi agraciado com o prêmio de melhor ator do ano de 1949. [...]

Nos primeiros anos de sua carreira, trabalha no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Em 1955, forma com Tonia Carrero e Adolfo Celi a sua própria companhia que durou até 1961. A estréia é triunfal com a montagem de "Otelo", de Shakespeare, traduzido especialmente para a ocasião. Algumas de suas interpretações de clássicos, como "Antígone", "Édipo Rei", "My Fair Lady", "Seis Personagens em Busca de um Autor", "A Morte de um Caixeiro Viajante", "A Viúva Astuciosa" (de Goldoni), "Sem Saída" (de Sartre), "Visitando o Sr. Green", e "Adivinhe quem Vem para Rezar". marcam a história do teatro brasileiro. Em 1962, o musical "My Fair Lady" fez grande sucesso, permanecendo dois anos em cartaz. [...]

Com a instauração da ditadura militar, o seu público passou a ser basicamente de jovens e universitários. Em diversas ocasiões, Autran teve de sair de uma apresentação diretamente para o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) para prestar depoimento. A peça "Liberdade, Liberdade" (1965) foi assistida por milhares de estudantes, que a encararam como uma forma de protesto contra o regime vigente no Brasil. Em 1970, a montagem de "Brasil e Cia" foi censurada. Autran teve de representar toda a peça para o chefe da Polícia Federal, para que ela fosse liberada. [...]Atuou, ainda, em várias outras peças aclamadas pelo público e pela crítica. Destacam-se "Vida de Galileu" (de Brecht, 1989), em 1995, obtém grande sucesso com a peça "As Regras do Jogo", de Noel Coward, "Rei Lear" (de Shakespeare, 1996) e "O Crime do Doutor Alvarenga" (de Mauro Rasi, 1998). Em mais de 50 anos de carreira no teatro, atuou em mais de cem montagens. Aos 73 anos, realiza a antiga ambição de um ator shakespeariano, interpretando o infeliz e ancião protagonista de Rei Lear. Dirigiu algumas peças, como "Pai" (1999), um monólogo com a atriz Beth Coelho, e "Dia das Mães" (2001). [...]

"O Avarento" foi sua 90ª montagem teatral aos 83 anos de idade. Clássico do teatro francês e mundial, a peça de Molière foi traduzida e adaptada por Felipe Hirsch. Obcecado por dinheiro, Harpagon é um personagem egoísta, interesseiro e cruel, que enterra uma caixa no jardim com suas adoradas moedas. Autran tinha planos de levar a comédia a Portugal em 2007. [...]

Na televisão: Gabriela, Cravo e Canela (1960); Pai Herói (1979); Os Imigrantes (1981); em Guerra dos Sexos (1983) protagonizou ótimos momentos com Fernanda Montenegro; Sassaricando (1987); Brasileiras e Brasileiros (1990); Hilda Furacão (minissérie, 1998).

Filmografia: Veneno (1952); Apassionata (1952); Uma Pulga na Balança (1953); É Proibido Beijar (1954); Destino em Apuros (1954); As Sete Evas (1962); Crônica da Cidade Amada (1964); Terra em Transe (1967); Mar Corrente (1967); O Menino Arco-Íris (1983); Vertigens (1985); O País dos Tenentes (1987) quando recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília; Fogo e Paixão (1988); Felicidade É... Sonho (1995); Tiradentes (1998); Oriundi (1999). Recentemente esteve em "A Máquina" (2005) e "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" (2006). [...]

Segundo o crítico Sérgio Salvia Coelho (A Folha de São Paulo), "Paulo Autran era culto e estudioso, intérprete, foi modelo para a profissão e atravessaria o novo século sem se esgotar. Paulo Autran será sempre a referência do ator brasileiro. [...] Sua técnica, apurada ao longo de décadas, em uma dedicação constante, guardava um selo de qualidade inconfundível. Mas Paulo Autran não era apenas um nome nem mesmo um rosto: era uma paixão em cena. [...] Deixa assim um modelo inequívoco de como deve ser um ator: culto, estudioso, capaz de traduzir os textos estrangeiros que encena, capaz de dirigir seus colegas sem impor seu estilo pessoal, sempre atento ao que acontece nos palcos do mundo, seja na Broadway ou na praça Roosevelt. [...]
A vida de Paulo Autran sempre foi o teatro. Então, Paulo Autran não morrerá nunca." [...]


Fontes de Informação:


quinta-feira, outubro 11, 2007

DORIS LESSING - NOBEL DA LITERATURA 2007


Doris Lessing durante a apresentação do seu livro The Cleft, no Teatro de Thalia, em Hamburgo


Nobel de Literatura Doris Lessing vence contra as previsões


Escritora inglesa de 87 anos ultrapassou nomes como DeLillo, Roth e Magris
Luciana Leiderfarb
17:00 Quinta-feira, 11 de Out de 2007

Como todos os anos, o Nobel da Literatura prestou-se a inúmeras especulações. Mas poucas, curiosamente, apontavam Doris Lessing como vencedora. Hoje, soube-se que nem sempre as intenções do Comité Nobel são previsíveis: é ela quem receberá das suas mãos o prestigiado galardão, na cerimónia que decorrerá em Estocolmo a 10 de Dezembro. O mesmo Comité justifica a sua escolha - que passou à frente de nomes favoritos, como os norte-americanos Don DeLillo, Philip Roth ou o italiano Claudio Magris - qualificando a escritora como "contadora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e uma força visionária perscruta uma civilização dividida." Trata-se da 11ª mulher a conquistar o prémio em toda a sua história, que remonta a 1901, quando foi outorgado ao poeta francês Sully Prudhomme.
Em Portugal, as opiniões continuaram divididas mesmo após ser conhecida a decisão. Maria Alzira Seixo, catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse à Lusa que considera Lessing "uma escritora de segunda ordem". Sendo "interessante do ponto de vista da escrita intimista e psicológica na esteira da Virginia Wolf, não está entre os melhores escritores que poderiam merecer esta distinção", argumentou, acrescentando que Philip Roth e António Lobo Antunes "podiam ter sido os distinguidos deste ano". Já Maria Teresa Horta congratulou-se com a escolha. Além de Doris Lessing apresentar "uma escrita muito equilibrada mas procurando sempre novas maneiras de escrever", ela "dá uma grande atenção nos seus livros aos discriminados, aos desprotegidos". "Temia que se cumprisse o destino de outras notáveis mulheres como Virginia Wolf e Marguerite Yourcenar que morreram sem receber o Nobel, mas felizmente assim não acontece e foi uma excelente escolha da Academia", salientou. Entre as mulheres que mais recentemente venceram o Nobel encontram-se a austríaca Elfriede Jelinek e a polaca Wislawa Szymborska.
A escolha de Lessing é igualmente polémica fora de Portugal. O crítico e escritor Harold Bloom afirmou à Associated Press que a decisão corresponde a "pura correcção política" . "Acho a sua obra dos últimos 15 anos ilegível", comentou, qualificando-a de "ficção científica de 4ª ordem".
Muitos dos livros de Doris Lessing abordam temas controversos como a divisão entre negros e brancos, o colonialismo, o racismo, as questões feministas e a violência contra crianças. O continente africano assume uma posição de destaque nos cenários das suas obras, o que tem uma razão de ser: a escritora passou uma grande parte da sua infância da Rodésia do Sul, hoje Zimbabué. Lessing nasceu na Pérsia, actual Irão, em 1919, com o nome Doris May Tayler, no seio de uma família inglesa em que o pai era um funcionário do Banco Imperial da Pérsia e a mãe uma enfermeira. Em 1925, mudaram-se para a Rodésia do Sul. Doris Lessing viria a descrever a sua infância como um misto de "algum prazer e muita dor". Autodidacta (só tardiamente estudou num liceu feminino, que abandonou aos 13 anos), foi por esforço próprio que se tornou numa intelectual e, mais tarde, numa escritora. Não há muito tempo que Lessing declarou que as infâncias infelizes tendem a produzir escritores de ficção. "Mas eu, na altura, não pensava nisso. Pensava apenas em fugir, o tempo todo", lembrou. Tinha 15 anos quando de facto saiu de casa para aceitar um emprego como enfermeira, onde o patrão lhe dava livros de política e sociologia para ler. Começou a escrever histórias e rapidamente vendeu duas para revistas da África do Sul. Mais tarde foi também telefonista e estenógrafa.
Depois do seu primeiro livro, "A Erva Canta", de 1950, ela só alcançaria o reconhecimento mundial em 1962, com a publicação do clássico feminista "O Caderno Dourado". A escrita de Lessing teve várias "fases", a primeira comunista, a segunda psicológica e a terceira "sufista", onde a escritora explora as temáticas do sufismo utilizando a ficção científica. Ao todo, Lessing (que completa 88 anos a 22 de Outubro) é autora de mais de cinco dezenas de livros, cerca de 20 editados em Portugal. A notícia do Nobel apanhou-a de surpresa, enquanto fazia compras em Londres, cidade em cuja periferia reside. Ficou a saber que receberá 10 milhões de coroas suecas (1,1 milhões de euros) pela comunicação social.
DORIS LESSING é autora de peças como SWEENEY TODD e O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET


Doris May Taylor Lessing(1919)

Escritora inglesa, nasceu na Pérsia (hoje Irão). Os pais eram ingleses. A família foi viver para o Zimbabwe, em 1925. Estudou na Rodésia e viveu na África do Sul, onde interiorizou a preocupação pela falta de liberdade de alguns. Doris e o irmão eram dominados pela mãe que a mandou para um colégio de freiras de onde Doris fugiu, por a atemorizarem com demónios. Tinha treze anos. Passou a estudar sozinha e a ler Dickens, W. Scott, Stevenson, Kipling, Dostoievsky e D.H. Lawrence, que lhe povoaram a imaginação. Sempre com um mau relacionamento com a mãe sai de casa aos quinze anos indo trabalhar como ama seca. Começou a escrever pequenas histórias que vendeu a revistas da África do Sul. Em 1937 mudou-se para Salisburia como operadora de telefones. Aos dezanove anos casou. Teve dois filhos. Criticou a vida tradicional britânica confrontada com a realidade de África. Tem obras de ficção como Contos Africanos, mas escreveu também com preocupações sociais. Esteve no Paquistão e escreveu sobre os campos de refugiados afegãos. Radicou-se em Londres em 1954. É uma das escritoras vivas que melhor conhece a realidade africana, embora seja algo controversa. Escreveu até hoje mais de cinquenta títulos e dois livros autobiográficos, um deles com o título "Under My Skin: volume One of My Autobiography, to 1949...." Escreveu sobre a sua infância. Em 1995 recebeu o James Tait Black Prize para melhor biografia. É regularmente nomeada para o Nobel da Literatura. Continua activa. Em 1999 foi-lhe concedido o título de Dame do Império Britânico.

UMA NOITE COM...CHE GUEVARA


No dia 8 de Outubro completam-se 40 anos sobre o assassinato de Che Guevara, na Bolívia.
No dia 13 de Outubro próximo, Movimentum - Arte e Cultura em colaboração com o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, apresenta "Uma Noite com... Che Guevara", com a participação de Albino Santos, Carlos Andrade, Fernando Fernandes, Fernando Peixoto, Maria Mamede e Roberto Merino.

domingo, setembro 09, 2007

O VIZINHO...TOCA SEMPRE DUAS VEZES


TEMPORADA 2007/2008




O vizinho… toca sempre duas vezes!


de Emílio Boechat


Comédia a partir do texto inédito “Se alguém lhe oferecer flores”,


adaptada pelo Cale Estúdio Teatro, que, depois de “Como estamos de amores?” renova a aposta nos originais do autor brasileiro.


A não perder!




ESTREIA 21 DE SETEMBRO – 21.45 HORAS




Em cena nos dias 21, 22 e 29 de Setembro




ASSOCIAÇÃO RECREATIVA DE CANIDELO – V. N. GAIA


Autor: EMÍLIO BOECHAT


Encenação: ANTÓNIO D’ALEGRIA


Interpretação: ADRIANA CARMEZIM, GRAÇA RUSSO, ONOFRE VARELA


Cenografia: CALE ESTÚDIO TEATRO


Sonoplastia: CÂNDIDO XAVIER


Luminotecnia: CARLOS GONÇALVES


Figurinos: MARIA PEDRO DA MOUTA




ASSOCIAÇÃO CULTURAL DE ACTORES




Rua do Meiral, 51


4400-501 V. N. Gaia


Tlm. 963 697 254

O HOMEM SEM CARA - Convite


CONVITE
O Teatro Art' Imagem tem a honra de o (a) convidar a assistir ao espectáculo



O HOMEM SEM CARA



em cena 7.SET a 23.SET.2007

no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garretao Palácio de Cristal, Porto
sessões: terça a sábado - 21h30domingo - 16h00

¬ Convite válido para duas pessoas, sujeito a confirmação de reserva - T. 22 208 40 14
¬ Obrigatória a apresentação deste convite na bilheteira
http://www.teatroartimagem.org/

quarta-feira, agosto 15, 2007

A LOUCURA DO POETA


Homenagem do "Cochilando nas Estrelas", aos versos do Poeta que sabe, com muita propriedade, a dor da Pátria a sangrar e a do irmão a sofrer.

Que a voz do Poeta não se cale
Que os olhos do Poeta não se fechem
Que os seus versos sejam a sirene
Que alerta toda a gente à sua volta
Que o poema seja o grito inconformado
Dos braços que se erguem na revolta
Contra os braços curvados e a cerviz
Submissa ao peso da opressão
Que o poema seja sempre vertical
Um relâmpago enorme em noite escura.
Que o Poema seja uma canção
E rasgue o medo em mil pedaços
Com versos de amor e de ternura
Espalhados por mil bocas e mil braços.
Que o Poeta seja mais que um ser humano
E que tanja a lira do seu canto
Elevando a Poesia até ao céu
E que entregue aos homens o seu Fogo
Assumindo o papel de Prometeu.

Quando o Poeta escreve por Amor
A palavra torna-se a armadura
Com que o Homem vence a própria dor
E destrói o vírus da amargura.

É louco, o Poeta? Deixem lá:
O mundo precisa da loucura.


Fernando Peixoto
Portugal
06.08.2007
(imagem colhida do site
Formatação de Emília Possídio
Sensibilizado, agradeço esta atenção da Amiga e poetisa Emília Possídio
Fernando Peixoto

terça-feira, agosto 14, 2007

O Limite da Mediocridade Alcançada


Por Julio Carrara - 19/12/2006

Eu gostaria de saber o que acontece com determinados “atores”. O que querem afinal? Ser ator ou ser famoso? Ser ator é uma coisa e ser famoso é outra, completamente diferente.
É fácil ficar famoso. Olhem os mandamentos abaixo1. Tenha um corpo sarado e um rostinho angelical.2. Seja fútil.3. Não precisa saber falar corretamente o português.4. Ande por aí sem calcinha.5. Tenha muita grana.6. Se inscreva no “Big Brother“.7. Se conseguir entrar naquela merda, pode ter certeza que ao sair de lá, você imediatamente pousará no Paparazzo, Playboy ou G Magazine, em fotos sensuais.8. Posteriormente entrará num programa humorístico de péssima qualidade ou ganhará um papel de coadjuvante numa novela do horário nobre, mesmo sem ser capacitado para isso.9. Pra que ser capacitado, se você pode ser namorada(o) de algum diretor conceituado? Pode ter certeza que ele irá te escalar pra sua próxima novela.10. Se não conseguir nada disso, faça um filme pornô. Muitos artistas começaram assim.
Siga corretamente essas dicas que, mais cedo ou mais tarde, você será uma celebridade. Eu lhe garanto.Mas tome cuidado. Depois de um tempo, essas celebridades instantâneas entram em órbita, caem no esquecimento e nunca mais ouve-se falar nelas.
Agora, entrarei num assunto que realmente me interessa. Ser ator. Não existe dez mandamentos para ser um bom ator. Existe muito mais. É uma profissão extremamente complexa.
Antes de se desenvolver como ator, você tem que se desenvolver como ser humano. Como você vai interpretar, Hamlet ou Ofélia, se a sua alma é muito inferior à desses personagens? Se o seu ego é maior que a sua humildade e generosidade? Se você procura contato com a platéia apenas por egocentrismo e vaidade? Se ama VOCÊ no TEATRO e não o TEATRO em VOCÊ?
Tenho certeza que muitos artistas não sabem o que estão fazendo quando estão em cena, qual a sua função social, o que pretendem atingir. Esses infelizes saem de uma escolinha de teatro qualquer, onde atuaram em grandes clássicos da dramaturgia universal como “As Bruxas de Salém“, por exemplo. Fazem uma ou duas apresentações para os familiares e amigos, que acham tudo maravilhoso e após o término do curso, enchem a boca para dizer que são atores profissionais, só porque tem a porra do DRT nas mãos. Grande bosta. Já trabalhei com muitos amadores que eram muito mais profissionais do que com àqueles que tem a carteira assinada e sua profissão regulamentada.
Hoje, a nossa profissão virou piada. Qualquer um pode ter DRT. É só pagar. E aquele ator talentoso, que não tem como pagar a taxa pra SATED, tem que dar um trampo de garçom, pintar a cara de branco, colocar uma bola vermelha no nariz e subir no palco como se estivesse animando festinhas de crianças nos Projetos Escolas da vida, tratando o público infantil como debilóides (coisa que não são), para conseguir grana pra pagar suas contas e a taxa abusiva do Sindicato pra conseguir o tão desejado DRT.
O grau de analfabetismo é tanto, que certa vez, nos bastidores de um teatro onde seria apresentada “Lisístrata“, uma atriz, chegou no camarim, “desesperada” e disse para outras atrizes que o Aristófanes estava na platéia. Todas sacaram a brincadeira, exceto uma, que acreditou realmente.- Nossa - disse ela - ele veio da Grécia pra cá?
E todas riram da garota, evidentemente. Bem, nem tudo estava perdido. Pelo menos ela sabia que Aristófanes era grego.
Falta informação, faltam profissionais realmente capacitados, faltam bons orientadores. A classe artística é muito desunida e individualista. Por isso a Cultura está essa merda. É preciso urgentemente fazer alguma coisa. Senão, o que será do Teatro daqui há 10 anos?Têm pessoas que vomitam teorias mas agem pouco. São puros punheteiros recém-saídos de alguma escolinha, que em seus devaneios em bares ou botecos decadentes, sonham com um modelo do teatro ideal. Mas a única coisa que conseguem atingir é o limite da mediocridade alcançada. Só.
Por isso (há exceções, evidentemente), o teatro está tão frouxo. Ou temos espetáculos comerciais ou espetáculos que não passam de masturbação mental que não dizem absolutamente nada.
Para finalizar, transcrevo aqui uma frase do grande Goethe: “Eu queria que o palco fosse uma corda bamba onde nenhum incompetente ousasse caminhar.”


Julio Carrara é diretor e dramaturgo. É colunista do Oficina de Teatro e escreve periodicamente para o site.

Amador ou Profissional? Eis a questão!


Por Paulo Sacaldassy - 05/08/2007

Na maioria das vezes, as pessoas são apresentadas ao teatro ainda na escola. Muitos nem se dão contam que um dia podem se tornar atores ou atrizes de sucesso. A aula, regada a uma peça de teatro, acaba sendo uma grande “brincadeira”, mesmo que o exercício seja levado a sério, pois alguns mais tímidos e outros nem tanto, usam a apresentação para se provocarem durante o ano.
Passada essa fase escolar, onde se é apresentado ao teatro sem compromisso algum, sempre tem alguém no grupo que leva aquela “brincadeira” um pouco mais a sério, e resolve procurar um grupo de teatro de verdade, pois sua alma foi tocada pelo bichinho do teatro.
São muitos os grupos que de uma maneira amadora conseguem fazer teatro de uma forma competente, mesmo com todas as dificuldades inerentes ao teatro, como a falta de espaço para ensaios, a falta de verba e as dificuldades de espaços para apresentação. Muitos são de muito bom nível, e são deles, que saem quase sempre, os atores e atrizes que chegarão a televisão.
Quando se está em um grupo amador, onde se faz teatro por amor e não se ganha nada por isso, tem-se a chance de aprender de verdade e na prática, as dificuldades de se fazer teatro em nosso país. Muitos optam por essa vida de teatro amador por toda a sua existência, mas outros, querem fazer desta arte o seu meio de subsistência, e é aí que depara-se com um grande dilema. Fazer teatro de uma forma amadora apenas para alimentar a alma artística ou partir de vez para uma carreira profissional e enfrentar todas as suas dificuldades?
Muitos jovens que atuam em grupos amadores, e vêem outros jovens fazendo sucesso na televisão, querem também fazer parte deste mundo, o quanto antes, melhor, e isso não é de hoje, pois, quem gosta de teatro de verdade, vive ou viveu um dia esse dilema. Mas quase sempre, o peso das responsabilidades, acaba interrompendo carreiras brilhantes, e muitas vezes, o teatro deixa de conhecer talentos que, ou não tiveram, a coragem suficiente para enfrentar as dificuldades, ou optaram por não correr riscos, e continuar apenas o seu teatro de forma amadora.
Acho que não se pode condenar, nem um, nem outro, cada qual deve escolher para a sua vida o que realmente quer no momento em que vive, as vezes, não á a hora de embarcar em uma aventura, e se jogar no mundo do teatro de uma forma desesperada, pois corre-se o risco de vender a alma ao diabo, e se perder na essência de sua alma de artista. As vezes é melhor trabalhar com o teatro amadorísticamente, mas consciente de estar preparado, para na oportunidade certa, encarar o desafio de viver profissionalmente do teatro.
A escolha é difícil, ainda mais quando se é jovem, por isso, não há a necessidade de precipitação, pois a história mostra que o teatro está cheio de atores e atrizes que tinham uma outra profissão, e no momento certo, deixaram o amadorismo para serem profissionais do teatro. E na maioria das vezes, com muito sucesso.


Paulo Sacaldassy, contabilista, dramaturgo, roteirista, poeta e letrista. Mantenho um blog chamado "poucas palavras" onde posto minhas poesias e alguns artigos. E agora, Colunista do site Oficina de Teatro.



A DISCRIMINAÇÃO DO ARTISTA

Por Paulo Sacaldassy - 12/08/2007

Engraçado, enquanto a gente segue nossa sina de forma anônima no meio da multidão, levando nossa arte, as pessoas que nos cercam, quase nunca acreditam em nosso talento, e as pessoas que não nos conhecem quase sempre nos discriminam. Pergunto à vocês: Quantos já não foram chamados de loucos, vagabundos, e outras coisas do tipo, só por ser um simples artista perdido no anonimato?
Cheguei a conclusão que as pessoas só reconhecem como artistas, os atores e atrizes que aparecem na novela das oito, ou o cantor, cantora ou banda, que tem sua música tocada exaustivamente nas rádios, fora isso, mais ninguém é considerado artista, tamanha a discriminação.
Não sei se alguma vez vocês sentiram ou presenciaram alguma manifestação de discriminação contra algum artista desconhecido pela grande maioria, talvez sim, isso é muito comum em barzinhos, onde músicos, sempre desconhecidos, tocam a noite toda como se fizessem mero acompanhamento para um bate-papo informal.
E as peças com atores desconhecidos? A dificuldade de colocar público no teatro se torna quase uma missão impossível. Na maioria das apresentações, o público é formado, na sua maioria, por nossos amigos e familiares, que ao final, nos falam duas ou três palavras de incentivo, mas quase sempre nos aconselham a voltar a vida normal.
Não consigo entender porque o artista que se tornou conhecido do grande público, tem mais valor do que o artista que faz o seu trabalho ainda no anonimato. Talvez a psicologia possa dizer alguma coisa. Quem sabe não é algo sobre o exemplo a seguir. - Fulano está na mídia, eu quero ser igual à ele! É até compreensivo, mas o que não é, é o desrespeito e o preconceito contra os anônimos.
Se a pessoa está ali, se apresentando como artista e você ali, como espectador, subentende que de alguma maneira, você veio prestigiar aquele artista desconhecido, certo? Então eu lhe pergunto: Por que desvalorizar esse trabalho? Neste fim de semana mesmo, presenciei um caso desse. Na escola onde estudam minhas filhas, houve uma apresentação de um grupo de música desconhecido do grande público, que diga-se de passagem, de muito talento, e que foram contratados para a festa do dia dos pais, mas o que ocorreu? Alguns pais, motivo final daquela apresentação, simplesmente discriminaram os músicos, que ali no palco, se empenhavam para passar algo agradável, permitindo que seus filhos, gritassem, corressem, pulassem, de uma tal forma, que me coloquei no lugar daqueles músicos, e me senti muito constrangido. Não tive dúvidas sobre o que escreveria!
O que o artista quer, é simplesmente o reconhecimento de sua arte. Que ele seja respeitado, mesmo que seja um anônimo, porque aliás, naquele instante em que ele se apresenta à você, está deixando de ser anônimo, e se você prestar atenção somente no talento, não desrespeitá-lo, nem discriminá-lo, quando se der conta, vai encontrá-lo trabalhando na novela das oito, ou cantando a sua canção preferida, e aí então, o que você vai mais querer, é que ele lhe dê, um concorrido autógrafo.
O artista é bom quando ele é bom no que faz, não precisa estar na mídia, por isso, quando você for assistir à alguma apresentação de um artista desconhecido, assista-o como se fosse seu fâ número um, pois ele está ali, fazendo aquilo para você.


Paulo Sacaldassy, contabilista, dramaturgo, roteirista, poeta e letrista. Mantenho um blog chamado "poucas palavras" onde posto minhas poesias e alguns artigos. E agora, Colunista do site Oficina de Teatro.

quinta-feira, abril 26, 2007

A FLOR DE ABRIL



A FLOR DE ABRIL

Com flores, com perfumes, com canções,
com crianças correndo na avenida,
com lagartas, chaimites e canhões
e um cravo na G-3 gritando vida,

com os peitos arfando, e os corações
batendo de alegria desmedida,
subiam e desciam multidões
respirando a manhã reaparecida.

O corpo do meu povo estremeceu
ao ver a Liberdade ali, à mão,
como uma flor que, súbito, aparece.

E a flor da Liberdade, então, colheu,
colocando-a bem junto ao coração
para que Abril ali permanecesse.


FERNANDO PEIXOTO

Abril de 2007

26º FAZER A FESTA



Fazer a Festa - Festival Internacional de Teatro
26ª edição - 4 a 13 de Maio de 2007Jardins do Palácio de Cristal Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett
TECA - Teatro Carlos Alberto
programa

Dia 4, sexta-feira[ 21.30h ]
estreia"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 5, sabádo[ 15.30h ]
"MARIONETAS NO JARDIM" ¬ Instituto Superior Jean Piaget . VN Gaia ¬ Todos
[ 16:30h ]"O BURACO" ¬ Companhia de Teatro de Braga . Braga ¬ M/ 6
[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 6, domingo[ 15.30h ]
"MARIONETAS EM REDOR DA MÚSICA"
¬ Trulé . Évora ¬ Todos
[ 16.00h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
[ 16:30h ]"TARARÁ CHIS-PUM!" ¬ Centro Dramático Galego . Galiza, Espanha ¬ M/ 6
Dia 7, segunda-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)
"ARCA DOS SONHOS" ¬ Teatro das Beiras . Covilhã ¬ M/ 6
Dia 8, terça-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)
"PRÍNCIPE FIM" ¬ Shakespeare Women Company . Lisboa ¬ M/ 4[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 9, quarta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)
"O RAPAZ DE BRONZE" ¬ Teatro de Animação de Setúbal . Setúbal ¬ M/ 4[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 10, quinta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)
"O CAPUCHINHO VERMELHO" ¬ UrzeTeatro . Vila Real ¬ M/ 3[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 11, sexta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)
"QUEM COME A MINHA CASINHA" ¬ Jangada Teatro . Lousada ¬ M/ 4[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 12, sábado[ 15.30h ]
"PALCO MÓVEL " ¬ Tosta Mista - O Malabarista . Alemanha / Portugal ¬ Todos[ 16:30h ]"CUÉNTAME UN CUENTO" ¬ Teloncillo . Castela, Espanha ¬ M/ 6
[ 21.30h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
Dia 13, domingo[ 15.30h ]
"SERÁ QUE AS GIRAFAS LAVAM OS DENTES?" ¬ Marimbondo . Lousã ¬ Todos[ 16:00h ]"FULGOR E MORTE DE JOAQUÍN MURIETA" ¬ Teatro Art' Imagem / TNSJ . Porto ¬ M/ 12
16:30h ]"OS CONTOS DE SHAKESPEARE" ¬ Teatro D. Maria II . Lisboa ¬ M/ 6
#) - marcação préviaprograma sujeito a alterações
actividades paralelas
Dia 7, segunda-feira[ 17:00h ][ debate / encontro ]
"TEATRO PARA OS MAIS NOVOS A NORTE" ¬ ATINJ - Associação de Teatro para a Infância e Juventude
[ animação teatral de rua aos fins-de-semana ]
"ESCADAS D' INFORMAÇÃO" ¬ Teatro Art' Imagem
Bilheteira
Preço (segunda a sexta, 10h00 e 14h30 - grupos escolares):3 € - preço por aluno (gratuíto para professores e acompanhantes).
5,00 €uros (normal) 3,00 €uros (desconto)
Bilhetes já à venda na bilheteira Tzero, na Rua da Picaria, 89, Porto.
Bilhetes também à venda na bilheteira do festival, instalada no Palácio de Cristal, de 5 a 14 de Maio e na FNAC.
Os Bilhetes para "Fulgor e Morte de Joaquim Murieta" devem ser adquiridos no TECA.

quinta-feira, março 22, 2007

Círculo da Justiça em Gaia





Mais uma vez, o 3º ano de Teatro da ESAP leva à cena o seu espectáculo "O Círculo da Justiça", com textos de Bertold Brecht e Shakespeare, esta é uma história onde a justiça é o centro de tudo e se questiona quem é melhor para uma criança, a mulher maternal ou a mulher que tratou dela e a educou.

Uma peça a não perder na TUNA MUSICAL DE SANTA MARINHA no dia 31 de Março pelas 21:45 horas. Apareçam e apoiem as novas caras do Teatro Portuense.

Saudações Teatrais

quarta-feira, março 21, 2007

ESTREIA
















No próximo dia 4 de Maio o
Teatro Art´Imagem
estreia a única peça de Pablo Neruda
Fulgor e Morte de Joaquim Murieta

Tradução do poeta Jose Viale Moutinho
Encenação de Roberto Merino


Este espectáculo, em coprodução com O TNSJ, será também uma homenagem ao poeta centenario e Premio Nobel de Literatura Chileno e ao Teatro Art´Imagem que cumpre 26 anos de actividade teatral na cidade do Porto.

PABLO NERUDA Y JOAQUIN MURIETA













Pablo Neruda, poesía y teatro, y Joaquín Murieta


"Mi poesía debía mantenerse secreta, separada en forma férrea de sus propios orígenes…Todo eso lo dejé yo en compartimiento cerrado destinado a mi trasmigración, es decir, a mi poesía, siempre que yo pudiera sostenerla en aquellos compartimentos letales, sin comunicación humana".

P Neruda

“Durante la década gloriosa nacional, la de los 60, la letra de Pablo Neruda se expande hacia las artes escénicas, primero, a través de la traducción de Romeo y Julieta, de su viejo padre literario, William Shakespeare y, luego, por una creación propia: Fulgor y muerte de Joaquín Murieta, ambas representadas por el Instituto de Teatro de la Universidad de Chile (ITUCH), estrenadas en sendos octubres de 1964 y 1967, respectivamente. El poeta tuvo amigos del alma en el mundo del Teatro, quienes han aportado lo suyo en la difusión y representación de sus obras: Pedro de la Barra (fundador del ITUCH, 1941), Pedro Orthus, Rubén Sotoconil, Agustín Siré, María Cánepa, Roberto Parada, por nombrar a algunos. Igualmente sus poemas se musicalizaron, alcanzando muchos de ellos categorías clásicas, en especial los Veinte Poemas de Amor y una Canción desesperada y el Canto General, resonando sonetos y acariciando olas y odas en cintas, videos y discos , con aportes de destacados músicos chilenos e internacionales. También, en el área de las Artes Plásticas se dibujaron, plasmaron y esculpieron sus portadas, íconos y variada temática poética a través de las manos de muchos artistas, tales como Mario Toral, Israel Roa, Nemesio Antúnez, José Balmes, Mario Carreño, Gregorio de la Fuente, Mary Martner, Roberto Matta.” (1)
La figura mítica de Joaquín Murieta, bandido mejicano o chileno, poco importa, simboliza para Neruda la lucha constante de su propia vida por la libertad del hombre en una tierra de todos, compartida por todos. Compartir la mesa tan común y repetida imagen/metáfora en Neruda (Las Uvas y el Viento), compartir las cosas comunes del hombre sus frutos, sus manos y sus flores, compartir el pan y la rosa de agua llamada cebolla, compartir todo sobre la mesa. Y por qué no la tierra y sus riquezas, la riqueza misma, la riqueza natural, la riqueza del metal y del oro.
El oro representa el punto de partida, pero también es el punto de regreso,” el oro es el regreso” dice el poeta en la obra.
Partiendo desde los puertos lejanos de Chile de la honda, profunda y húmeda América del Sur, de Valparaíso hasta la California seca y yerma, de la América del Norte, los débiles y frágiles emigrantes parten con el cuerpo repleto de sueños y colmado de ensueños.
Viaje fantástica que pasa por el mar y la partida, por las polvorientas y áridas tierras del desierto, la llegada, cruzando hasta el fulgor y hasta la muerte.
De todos los cuerpos que partieron quedarán apenas los fragmentos ,de todo ese sueño, quedará apenas la cabeza decepada y sola que habla en un epílogo lunar:


“Nadie me escucha, puedo hablar por fin,
un niño en las tinieblas es un muerto…

De tanto amar llegué a tanta tristeza,
de tanto combatir fui destruido…

Fue mi cuerpo primero separado,
degollado después de haber caído…

Los muertos no debían decir nada
sino a través de la lluvia y del viento…

De aquí a cien años, pido, compañeros,
que cante para mí Pablo Neruda…

Y como toda vida pasajera
fue tal vez con un sueño confundida.
Los violentos mataron mi quimera
y por herencia dejo mis heridas”



Roberto Merino M.

Diciembre de 2006
(1) sisib- Universidad de Chile

Recuerdos del Sur - Roberto Merino






Recuerdos del sur, geografía y poesía


Creo que lo que me hermana con Neruda es la lluvia del Sur. Nací en la ciudad de Concepción en una madrugada de invierno, los recuerdos de infancia se nutren de la lluvia, del agua y de la errancia tutelar del río Bio- Bio, a las orillas de ese río jugábamos, lanzábamos piedras y vimos muchas veces los cuerpos de animales muertos arrastrados en inviernos rigurosos. La ciudad era húmeda, muy humedad, se sentía la humedad en las ropas y zapatos, en las paredes de las casas y en los techos, y la niebla como aquí, tejía su telaraña de musgo brillante sobre todas las cosas.

Todo eso mudaba con la llegada de la primavera y el verano. Las estaciones muy demarcadas se dejaban anunciar por sus propias señales, los aromos reventando en flores amarillas o la caída de las hojas en otoño, que en esa época eran más rojas, casi fuego.

Creo que todos conocíamos a Neruda desde niños a través de un poema, una citación, o la fotografía de un recorte de periódico que decoraba nuestras modestas salas de clases o los cuadernos diarios del estudiante.

Chile es un país de poesía y la primera fue sin duda Gabriela Mistral, Gabriela poetisa grande de origen humilde la primera entre las primeras de América latina, profesora educadora y luchadora escogió el nombre del arcángel Gabriel y del viento mistral que azota la tierra provenzal con la que con seguridad tantas veces soñara cuando niña. Gabriela adornó nuestras vidas con bellas poesías infantiles, nos rodeó con su tibio abrazo enseñándonos canciones de cuna y sobre todo nos enseño a jugar con serpentinas canciones de ronda… Gabriela es también el nombre de mi madre…

La poseía viajó con los conquistadores a caballo de sus corceles, el dominante idioma
fue dominando las voces antiguas y telúricas de los indios mapuches y como una lámpara de incandescencia lejana sus voces dominadas nos fueron privadas .Crecimos ignorantes de nuestros antepasados y sin perdón aprendimos las proezas de Cervantes, los dramas de Lope, los pasos de Rueda… sin perdón crecimos olvidando las voces genuinas de nuestros indígenas que tenían antes de los dominadores nombre para todas las cosas… la flor que nacía junto al arroyo se llamaba copihue (flor de agua ) y el mismo río Bio- Bio era butalevu o butalevo, y rupanco era el fluir de las aguas y nahuel el tigre salvaje .
Fue el poeta conquistador Alonso de Ercilla quien en su poema épico La Araucana daría a conocer al mundo occidental las primeras fronteras de Chile;
“Chile, fértil provincia y señaladaen la región antártica famosa,de remotas naciones respetadapor fuerte, principal y poderosa;la gente que produce es tan granada,tan soberbia, gallarda y belicosa,que no ha sido por rey jamás regidani a estranjero dominio sometida.Es Chile norte sur de gran longura,costa del nuevo mar, del Sur llamado,tendrá del leste a oeste de angosturacien millas, por lo más ancho tomado;bajo el polo Antártico en alturade veinte y siete grados, prolongadohasta do el mar Océano y chilenomezclan sus aguas por angosto seno.”

Más tarde Gabriela Mistral cuando recibe el premio Nóbel de Literatura, defendería a Chile y a su poesía hermanando la geografía ibérica a través del lenguaje;
“Por una venturanza que me sobrepasa, soy en este momento la voz directa de los poetas de mi raza y la indirecta de las muy nobles lenguas española y portuguesa. Ambas se alegran de haber sido invitadas al convivio de la vida nórdica, toda ella asistida por su folklore y su poesía milenarias…” y más tarde en póstumo poema aun recuerda a su patria:
“ Bajé por espacio y aires / y más aires, descendiendo, / sin llamado y con llamada / por la fuerza del deseo / (...) y arribo como la flecha / éste mi segundo cuerpo / en el punto en que comienzan / Patria y Madre que me dieron»
(«Hallazgo»)


También Pablo Neruda hablaría de nuestra geografía de esa loca y aguerrida geografía, de los extensos bosques del sur de Chile y del agua y de la lluvia. Pero sobretodo Neruda hablaría del hombre y de las cosas;
“Yo vengo de una oscura provincia, de un país separado de todos los otros por la tajante geografía. Fui el más abandonado de los poetas y mi poesía fue regional ,dolorosa y lluviosa. Pero tuve siempre confianza en el hombre. No perdí jamás la esperanza. Por eso tal vez he llegado hasta aquí con mi poesía, y también con mi bandera.
…solo con una ardiente paciencia conquistaremos la espléndida ciudad que dará luz, justicia y dignidad a todos los hombres.
Así la poesía no habrá cantado en vano”
Y Violeta Parra con su guitarra ardiente en la mano leerá como una hechicera las líneas de su tierra;
“Chile limita al Norte con el Perúy con el Cabo de Hornos limita al Sur Se eleva en el Oriente la cordilleray en el Oeste luce la costanera, la costanera.

Linda se ve la patria señor turistapero no le han mostrado las callampitasmientras gastan millones en un momentode hambre se muere gente que es un portento.Mucho dinero en parques municipalesy la miseria es grande en los hospitalesal medio de la Alameda de las DeliciasChile limita al centro de la injusticia,¡de la injusticia! “
(Al centro de la Injusticia)
También Vicente Huidobro el poeta creacionista refiriéndose tal vez a Chile diría algún día;
“ los puntos cardinales son cuatro Norte y sur… “
“He aquí el mar
El mar que se estira y se aferra a sus orillas
El mar que envuelve las estrellas en sus olas
El mar con su piel martirizada
Y los sobresaltos de sus venas
Con sus días de paz y sus noches de histeria

Y al otro lado qué hay al otro lado
Qué escondes mar al otro lado
El comienzo de la vida largo como una serpiente
O el comienzo de la muerte más honda que tú mismo
Y más allá que todos los montes
Qué hay al otro lado
La milenaria voluntad de hacer una forma y un ritmo
O el torbellino eterno de pétalos tronchados”

“Monumento al Mar”
Y así en la estrecha espina dorsal de nuestra patria , presos por el mar y la cordillera la poesía no cantó en vano y sobre los terremotos y volcanes ardientes autores de las mayores catástrofes geográficas del siglo pasado, nos salvó dándonos alas para seguir viendo más allá de nuestras estrechas fronteras, para poder seguir cantando y contando historia imaginarias.


Roberto Merino Mercado
Oporto Febrero de 2007

domingo, março 18, 2007

ZARAGATA NO CALHAU


Depois de ter estado em cena, com casa cheia, no Teatro Municipal Baltazar Dias em Novembro passado, a pedido de muitas pessoas que não tiveram oportunidade de conseguir bilhete,

Zaragata no Calhau

a partir de Carlo Goldoni, regressa à cena, no Cine-Teatro Santo António, de 17 a 27 (Dia Mundial do Teatro) de Março. A encenação é de Élvio Camacho.

Os espectáculos realizam-se de Terça a Sábado às 21H30 e aos Domingos às 17H30.
Saudações Teatrais,
TEF Companhia de Teatro

sexta-feira, março 16, 2007

PRIMAVERA DO TEATRO



Primavera do Teatro
1ª edição, de 27 a 30 de Março de 2007.
Maia

programa



dia 27 de Março, terça-feira - Dia Mundial do Teatro
[ 12.30h ] Centro da Cidade¬ "Animação de Rua" ¬ TEATRO ART' IMAGEM . 90m
[ 15.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho¬ O Teatro no Cinema Português - filme: "A Vizinha do Lado"
dia 28 de Março, quarta-feira
[ 10.00h e 16.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho"Brincar ao Teatro" ¬ TEATRO ART' IMAGEM
[ 21.30h ] Grande Auditório do Fórum da Maia"JOANA D'ARPPO " ¬ GARDI HUTTER . M/6 . 80m
dia 29 de Março, quinta-feira
[ 10.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho"Brincar ao Teatro" ¬ TEATRO ART' IMAGEM
[ 21.30h ] Grande Auditório do Fórum da Maia"BABINE, O PARVO" ¬ TEATRO ART' IMAGEM . M/6 . 75m
dia 30 de Março, sexta-feira
[ 10.00h e 11.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho"Brincar ao Teatro" ¬ TEATRO ART' IMAGEM
[ 15.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho¬ O Teatro no Cinema Português - filme: "A Canção de Lisboa"
[ 21.00h ] Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho¬ A Comunidade de Leitores "Imagens & Letras" vai ao Teatro.

outras actividades


6 a 31 de Março [ exposição ] "BEATRIZ COSTA (1907-1996)" ¬ Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho
27 a 30 de Março Distribuição da Mensagem Mundial do Teatro de 2008, de Mohammed Al Qasimi (Emirados Árabes Unidos).

bilheteira
Dias 28 e 29 de Março, no Grande Auditório, 21.30h.
Grátis - menores de 10 anos e estudantes.1,00 euro - público em geral
venda e reserva de bilhetes no Fórum da Maia.

contactos
Câmara Municipal da Maia, Fórum da MaiaPraça Dr. José Vieira de Carvalho4470-202 Maiatel. 00351 229 408 643fax 00351 229 440 633
Teatro Art Imagem

Rua da Picaria, 894050-478 Porto

tel - 00351 222 084 014fax - 00351 222 084 021

20 DE MARÇO - DIA DO TEATRO ASSOCIATIVO


Mensagem do Dia do Teatro Associativo
20 de Março de 2007



Passados 10 anos (1997) sobre a Primeira Mensagem do Dia do Teatro Associativo, e da divulgação do seu Manifesto, que o AMASPORTO instituiu junto dos Amadores das Associações, cabe ao seu autor ser o mensageiro, (no ano em que o mensagem do Dia Internacional do Teatro, é escrita pelo Sultão Bin Mohammede Al Qasmi- Ministro do Emirato Dubai - país, que muito deve à democracia)

Apesar de 10 anos, e como diz a cantiga “...é muito tempo”, é meu entendimento, que no Teatro, “é pouco tempo”, por isso, a necessidade de continuarmos a lembrar, que o “nosso” Teatro deve ser, na continuidade revitalizado, e os Amadores, seus praticantes, alertados para o conhecimento e para o importância da
RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Quando no Manifesto, digo:
“ ...o Teatro de Amadores das Associações tem de facto um “papel principal” no desenvolvimento cultural dos locais e regiões onde está inserido.” e ”...tal como no ensino básico, o Teatro Associativo é uma “escola” necessária no desenvolvimento social...”
Quero dizer que nos devemos orgulhar, da Grande Região do Teatro, que é, a dos Amadores das Associações, sobretudo, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na sociedade, através das suas actividades.
Daí, que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o Teatro nos merece, ser em cada ensaio, em cada espectáculo, todos os dias, um artista em dia de festa, relançando o significado que tem o “nosso” Teatro, mesmo muito antes de se falar na “reforma artística”, e por isso, ser prioritário, saber o que significa, a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

A criatividade, o espírito de sacrifício, a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases socioculturais importantes que o Teatro coloca à disposição da sociedade, substituindo em grande medida o “papel principal” dos governantes.

Então, chegados a este conhecimento, sabemos que, com a nossa “mão de obra barata” colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, e que prestamos um serviço sociocultural à sociedade.

Companheiros
Não é pelo facto de sermos compulsivamente AMANTES apaixonados do TEATRO, que a nossa paixão é CEGA. Hoje, cada vez menos interessa “vestir a camisola”, e cada vez mais é necessário, saber suar a camisola do “nosso” Teatro.
Todos sabemos, e muito bem, o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

A tarefa não é fácil, pois infelizmente ainda há muito boa gente que julga que o Teatro, nas Associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer, e pior, é quando pensam que pelo facto de ser AMADOR, é desculpa!
E mais, não se importam nada de ouvirem dizer: “Para amadores não está mal”!
E até considerem um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

Companheiros
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento que é prioritário alterar esta forma de estar e pensar o Teatro de Amadores.

Todos nós recebemos muitas manifestações de apreço, de Organismos, Instituições e Personalidades, que nos dizem que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população, é uma Mais Valia Sociocultural, Associativa e Artística, mas, apesar de todos estes incentivos, temos que, peça a peça, ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nosso pedidos de apoio, uma exigência, mas sim uma pretensão que nos assiste, quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho e servir com mais qualidade as populações.

Também sabemos e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “nosso” Teatro, só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.

E quando digo “crescer”, refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens, e por que não, dos adultos.
E assim, será muito mais possível acreditar num futuro melhor.

Num futuro, onde hajam mulheres e homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social, e na sua qualidade de vida cultural, mas também, contribuir para o desenvolvimento do local onde estão inseridos.
Mas para isso, não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas artísticas, pois sabemos, que cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.
Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos, faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.

Cabe, por isso, aos agentes culturais, aos patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às Autarquias, (já que o Governo Central não aceite pedidos de apoios dos Amadores de Teatro) um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento do Teatro de Amadores.

Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, como até aqui, com as “portas abertas”, com a “mão de obra barata”, e a LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.
Valha-nos, a muita paixão que sentimos pelo Teatro, valha-nos a muita preseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País Que Somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos que acreditam no trabalho dos Amadores de Teatro, vai sendo possível levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sociocultural , chamada TEATRO.
Valha-nos isso.
Mas, não nos devemos esquecer o quanto é importante saber o que é a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO, porque o Teatro de Amadores das Associações, é de facto, e sem demagogias, uma Grande Escola de Humanização, para a Vida Social, Cultural e Associativa.

Viva o Teatro de Amadores das Associações.


Alfredo Correia
Actor/Encenador

domingo, março 11, 2007

27 de Março - DIA MUNDIAL DO TEATRO

NOTA PRÉVIA:
Pessoalmente estou surpreso: que razões subreptícias terão levado o ITT a convidar o Sultão? Independentemente de tudo, não se pode esquecer que se trata do ministro de um dos Emiratos, membro do Conselho Supremo e governador de Sharjah, no emirato de Dubai, um país onde a democracia não serve de modelo... interesses do petróleo?
Pessoalmente, não lerei esta «Mensagem» por entender que haveria muitas outras persoangens mais interessantes e mais representativas.
FERNANDO PEIXOTO


Mensagem Internacional
Foi durante meus primeiros anos de escola que eu me tornei fascinado pelo teatro, aquele mundo mágico que me cativou desde então.
Os inícios foram modestos, um encontro casual que eu só via como uma actividade extracurricular para enriquecer a mente e o espírito. Mas foi muito mais do que isso quando eu me tornei seriamente envolvido como escritor, actor e director de uma produção teatral. Recordo-me que foi uma peça política que irritou as autoridades daquela época. Foi tudo confiscado, e o teatro foi fechado diante dos meus próprios olhos. Mas o espírito do teatro não pode ser esmagado pelo peso das botas de soldados armados. Esse espírito procurou refúgio e determinado se alojou no mais profundo do meu ser, fiquei completamente ciente do vasto poder do teatro. Foi então que a verdadeira essência do teatro teve impacto em mim da maneira mais profunda, levando-me a estar absolutamente convencido do que o teatro pode fazer à vidas das nações, particularmente frente aqueles que não podem tolerar a oposição ou as diferenças de opinião.
O poder e o espírito do teatro se enraizaram profundamente na minha consciência ao longo dos anos na universidade do Cairo. Avidamente lia quase tudo o que foi escrito sobre teatro, e vi os diversos alcances do que era apresentado em palco. Esta consciência se aprofundou ainda mais nos anos subsequentes, enquanto eu tentava seguir os últimos progressos no mundo do teatro.
Em minhas leituras, sobre teatro, desde o tempos da Grécia antiga até à actualidade, eu tornei-me ciente da mágica interior que os muitos mundos do teatro têm o poder exercer. É desta forma que o teatro alcança as profundidades recônditas da alma, e abre os tesouros que se encontram escondidos nas profundidades do espírito humano. Isto fortaleceu minha já imperturbável fé no poder do teatro, no teatro como um instrumento do unificação através do qual o homem pode difundir o amor e paz. O poder do Teatro também permite que se abram novos canais de diálogo entre raças diferentes, etnias diferentes, cores diferentes e credos diferentes. Isto ensinou-me pessoalmente a aceitar os outros tal qual como são e me deu a convicção de que na bondade a humanidade se pode manter unida, e no mal a humanidade poderá ser unicamente dividida. De facto, a luta entre bem e o mal é intrínseca aos códigos do teatro. Finalmente, todavia, o senso comum prevalecerá e a natureza humana em seu todo se agrupará em si a tudo o que é bom, puro e virtuoso.
As guerras com que a humanidade tem sido afligida desde tempos ancestrais têm sempre sido causadas por instintos ruins que simplesmente não reconhecem a beleza. O teatro aprecia a beleza, e poderia argumentasse que nenhuma forma de arte é capaz de captar a beleza com maior fidelidade do que o teatro. O Teatro é um receptáculo que abrange todas as expressões de beleza, e aqueles que não valorizam a beleza não podem valorizar a vida.
Teatro é vida. Nunca houve uma época como a de agora em que é incumbindo a todos nós denunciar guerras fúteis e as diferenças doutrinais que frequentemente levantam as suas caraças, determinados por uma consciência vibrante de responsabilidade. Necessitamos de pôr fim às cenas da violência e matanças aleatórias. Estas cenas têm se tornado corriqueiras no mundo de hoje, somente agravadas por diferenças abismais entre a opulência perversa e abjecta pobreza, e por doenças como a “sida”que têm devastado muitas partes do globo e derrotado os melhores esforços de erradica-la. Estes males são, juntamente com outras formas de sofrimento da desertificação às secas, calamidades provocadas pela ausência de um diálogo genuíno que é o caminho seguro para sintonizar o nosso mundo num lugar mais feliz e melhor.
A gente de Teatro, é quase como se tivesse sido golpeada com uma tormenta, e oprimida pela poeira da dúvida e da suspeita que nos está envolvendo.
A visibilidade tornou-se quase totalmente eclipsada, e as nossas vozes estridentes e mal audíveis no clamor e divisão intentam em manter-nos aparte uns dos outros. De facto, se não fosse por nossa profundamente e enraizada convicção no diálogo manifestado excepcionalmente por formas de arte como o teatro, teríamos sido afugentados por uma tempestade que não deixa pedras por voltar para nos dividir. Nós devemos, consequentemente, enfrenta-los e desafiar aqueles que nunca se cansam de agitar as tempestades. Nós devemos enfrenta-los, não para os destruir, mas subir acima da atmosfera contaminada deixada no despertar de suas tempestades. Nós necessitamos reunir os nossos esforços e dedica-los a comunicar nossa mensagem e estabelecer laços de amizade com aqueles que chamam por irmandade entre nações e as gentes.
Nós somos meros mortais, mas o teatro é tão eterno como a própria vida.
Sultão Bin Mohammed Al Qasimi
Traduzido por: Francisco Luz
INTERNATIONAL THEATRE INSTITUTE (ITI)

Mensagem do Dia Mundial do Teatro* (Portugal)
Neste Dia Mundial do Teatro quero manifestar a minha admiração por todos aqueles que ao longo dos tempos dignificaram e fizeram desta arte e profissão um exemplo de vida, de manifestação artística e de mensagem política. Quem suportou a violência da censura de antes do 25 de Abril e recebeu a missão de comunicar e criar em liberdade, não pode ignorar a sua responsabilidade. A todos aqueles que neste momento são gente de teatro, uma palavra de amizade, de solidariedade e confiança num futuro que estamos a criar. Posso dizer que ser de teatro é ser maior, é ser diferente, é ser responsável. Vivemos numa época de preocupação com a guerra do Iraque, com a fome, com as desigualdades sociais, com a prostituição, o racismo e o flagelo da droga. Trabalhamos para um público que partilha das nossas preocupações. Tenho o maior orgulho nos meus colegas e nos meus amigos. O egoísmo de que nos acusam é resultado da paixão que temos pela nossa profissão. Um profissional vive, ri, sofre e ama profundamente o teatro.É estranho quando nos deparamos com situações que pensamos que sabemos resolver. Quanto mais sabemos, mais temos a noção de que ainda há muito para aprender. Aos mais novos, àqueles que por vezes terminam os seus cursos e depois ficam à espera de uma oportunidade, àqueles em quem eu acredito que serão o teatro do futuro, que serão os responsáveis por esta profissão maravilhosa, única. Garanto que vale a pena! O teatro não esquece aqueles que o amam e o servem sem se servirem dele. A vossa oportunidade chegará. Por último, uma palavra muito especial, um aplauso diferente para Isabel de Castro e Canto e Castro. Assim se faz o Teatro.
Carlos Avilez
*Para Portugal, escrita pelo encenador a convite da Sociedade Portuguesa de Autores

sexta-feira, janeiro 26, 2007

A PÁTRIA DAS CAMÉLIAS





COMPANHIA TEATRAL DE RAMALDE

da Associação 26 de Janeiro
apresenta
A Pátria das Camélias
segundo o "Porto Profundo"
adaptação teatral e encenação de ALFREDO CORREIA
a partir de textos de Helder Pacheco
LEVA O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES-
MARÇO - Dia 17 – ASS.MORADORES ANTÓNIO GIL - PORTO
24 – FESTIVAL DE TEATRO DA AURORA DA LIBERDADE-MATOSINHOS
31 - COOPERATIVA DE RAMALDE—PORTO
ABRIL---Dia 14 – MARCO DE CANAVEZES
28 – PAROQUIAL DE OLIVEIRA DO DOURO
MAIO---DIA 5 – FESTIVAL TEATRO LOUROCOOPE-LOUROSA
12 – FESTIVAL DE TEATRO DA ESCOLA DRAMÁTICA DE VALBOM – GONDOMAR
19 – CLUBE DOS FENIANOS PORTUENSES
JUNHO DIA 2 - “FESTARTE”- FLOR DE INFESTA- S.MAMEDE-MATOSINHOS

N.B. Os fregueses interessados queiram contactar atempadamente a Companhia Teatral de Ramalde da Associação 26 de Janeiro - Rua de Requezende, 194 – 4250-397 PORTO - Tel – 228 317 941(à noite)