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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

MENSAGEM AMASPORTO 2012
















Amasporto… um história de luta pelo Teatro - XVI Encontro de Teatro Associativo...








Não poderia iniciar esta mensagem sem uma saudação muito especial a todos os que, ao longo de dezasseis edições vêm contribuindo para a organização deste encontro de teatro associativo. A história do Amasporto cruza-se, inevitavelmente, com a história desta cidade e constitui uma verdadeira prova de amor à arte de Talma. É em homens e mulheres, como estes, que podemos alicerçar o futuro do Teatro, pois são eles que elevam ao expoente máximo a capacidade de acreditar e realizar todos os sonhos que vão germinando entre as tábuas de um palco.


O teatro de Amadores, pois estes homens e mulheres amam realmente o Teatro, é a prova viva de um enorme amor à Arte, pela forma como fazem magia em palco muitas vezes com recursos quase diminutos.


É o teatro associativo quem assume a primeira linha na tarefa de educar espectadores e fazer nascer os verdadeiros amantes da arte de Talma. O teatro de amadores tem nas associações o seu berço e, sobretudo, o mais importante motor naqueles que, perante as adversidades, se recusam teimosamente a deixar de sonhar. Tem sido assim, o percurso do Amasporto, ao longo de dezasseis edições.


Quando, no ano anterior, o Amasporto não se realizou temi pelo fim deste encontro. Mas esta gente, para quem o Teatro não é apenas um evento mas uma forma de enfrentar a vida, não desistiu e, apesar de todas as adversidades, renasceu este ano ainda mais forte, imbuído de um carácter internacional, atravessando o oceano e partilhando este amor à arte de Talma com irmãos do Brasil.


Seria inevitável, ao falar deste 16º Encontro de Teatro Associativo, reflectir sobre o contexto de crise generalizada que o nosso país atravessa, relembrar os cortes avassaladores à cultura e ao associativismo e a forma como recuperam fôlego os arautos da desgraça que teimam anunciar a morte do Teatro.


O Amasporto vem provar que esta crise não é sinónimo de derrota e poderá ser mesmo a alavanca que nos desperta para a consciência da importância do associativismo, em que se insere o Teatro de Amadores, porque fazer Teatro ilumina o palco da nossa vida quotidiana.


Gostaria ainda de saudar a iniciativa da atribuição do Prémio Talma e, todos aqueles que já foram laureados com este prémio, pois é fundamental não esquecer todos os homens e mulheres que fazem da sua vida uma luta constante pela valorização do Teatro de Amadores. O Amasporto tem o mérito de fazer este reconhecimento a que se furtam, por vezes, as entidades oficiais e de brindar os muitos nomes que a história do Teatro de Amadores não pode e não deve esquecer.


Sabemos das muitas horas necessárias para levar à cena um espectáculo como qualquer um dos que fazem parte deste encontro, da necessidade de persistência e do espírito de sacrifício para fazer vingar um projecto assim, para todos vocês, organização e participantes, o meu aplauso de pé.




Viva o Amasporto! Viva o Teatro!



Maria Helena Peixoto


Janeiro 2012

segunda-feira, março 23, 2009

AOS AMANTES DE TALMA...

Mensagem do Dia do Teatro Amador

“ Amigo, maior que o pensamento. Por essa estrada amigo vem. Não percas tempo que o vento. É meu amigo também”.
Em terra, em todas as fronteiras. Seja bem vindo quer vier por bem. Se alguém houver que não queira. Trá-lo contigo também.
Se pudesse comprar palavras, estas, seria por certo dono delas. Mas, o seu a seu dono, são palavras de José (Zeca) Afonso, da cantiga – “Trás um amigo também”

E no ano que completo 40 Anos de Vida no Teatro, que a minha memória me leva ao ano de 1969, no Grupo dos Modestos (extinto em 1988), na peça “TODO O MUNDO E NINGUÉM”, de Gil Vicente, no papel de Dinato, com encenação de Leandro Vale, a ANTA trouxe-me até aqui, depois de tanto intervir no seu sítio, umas vezes, com palavras certas, outras vezes, com palavras a passear…
Mas, como não somos donos das palavras, nem tão pouco as podemos comprar, somos às vezes, (muitas vezes), escravos da palavra. E, é por isso, que o “Meu Dom da Palavra” me diz para dizer:
-O Teatro de Amadores das Associações tem de facto um “papel principal” no Desenvolvimento Cultural dos Locais e Regiões onde está inserido.
E tal como no Ensino Básico, é uma “Escola” necessária, no Desenvolvimento Social da população, por isso, os Amadores de Teatro das Associações, devem ser responsáveis e terem orgulho de pertencerem à Grande Região, que produz Teatro no nosso País.
E, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na Sociedade através das suas mais diversas actividades, mais orgulhosos podemos estar.
Daí, que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o Teatro nos merece, sermos (nos ensaios, nos espectáculos, todos os dias) responsáveis, pelo que significa o Teatro de Amadores das Associações, ou como digo: (expressão que criei) o Teatro Associativo.
E quando se falar na “reforma artística”, devemos antes, (e por isso é prioritário) saber, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
A criatividade, o espírito de sacrifício, a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases socioculturais importantes, que o Teatro coloca à disposição da sociedade, substituindo em grande medida o “papel principal” dos governantes.
Então, chegados a este conhecimento, sabemos que, com a nossa “mão de obra barata” colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, mas conscientes, que prestamos um Serviço Sociocultural à Sociedade.
E, não é pelo facto de sermos compulsivamente apaixonados “AMANTES DE TALMA “, que a nossa paixão é cega. Sabemos, que hoje, e cada vez mais, é necessário saber “suar a camisola”.
Todos sabemos o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Sabemos que a tarefa não é fácil, pois infelizmente, ainda há muito “boa gente”, que julga que o Teatro de Amadores das Associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer, e pior, é quando pensam, que pelo facto de ser AMADOR... é desculpa!
E mais, não se importam nada de ouvirem dizer “P’ra amadores não está mal” , e até considerem um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Companheiros
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento, o quanto é prioritário, alterar esta forma de estar e pensar o Teatro produzido nas Associações.
Todos nós já recebemos muitas manifestações de apreço de Organismos, de Instituições e Personalidades, que nos dizem, que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população, é uma Mais Valia Sociocultural, Associativa e Artística, mas, apesar de todos estes incentivos, temos que, (peça a peça) ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nosso pedidos de apoio, uma exigência fútil, mas sim, uma pretensão que nos assiste, quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho, e servir com melhor qualidade as populações.
Também sabemos, e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “Nosso Teatro”, só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.
E quando digo “crescer”, refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens, e por que não, dos adultos.
Todas as Artes são importantes e neste caso particular o Teatro, para a formação dos cidadãos, e, quanto mais pequenos melhor.
Podemos não saber o que é que queremos que eles aprendam, mas, que devem aprender uma Arte, isso devem.
Com esta aprendizagem, vão ter por certo uma melhor visão da vida e do mundo, e como sabemos, as crianças expressam-se naturalmente. Faz parte da sua descoberta do mundo que as rodeia. Experimentam coisas através de um jogo permanente com a realidade.
Tal como as crianças, os jovens e os adultos, têm no Teatro esse prazenteiro jogo do
« fazer - de – conta », que possibilita conhecer melhor as humanidades.
Claro que não será por isso, que todos serão técnicos ou intérpretes, mas serão por certo cidadãos com princípios éticos, e capazes de saber partilhar e ter conceitos mais ricos e diversificados.
E se pensarmos, que primeiro aprendemos a falar, e depois mais tarde, na escola, aprendemos o abecedário. Podemos ter em conta, que no Teatro se pode e deve aplicar esta verdade como princípio.
Primeiro aprender a Cultura e a Ética Teatral, ter urbanidade para e com a Arte, e depois, mais tarde, na “escola”, aprender a Formação Técnica /Artística.
Se quiserem ter a compreensão, de que, esta base ética é fundamental, o Teatro de Amadores das Associações, é, (deve e pode ser), uma boa escola da vida.
Estar ou Ser do Teatro, é um confronto permanente com a realidade.
Os primeiros contactos devem ser de forma lúdica e divertida, o que, os torna mais tarde, activos e com sentido crítico e participativos.
Aprende-se com todos os sentidos e fica-se mais aberto àquilo que desconhecemos.
É bom que se entenda que o Teatro tal como as outras Artes, são espaços de liberdade e criatividade, onde existe a possibilidade de criar uma mudança de atitude.
Como diz Kant:- «apenas os gostos se discutem»
Mas no Teatro, discutir, é procurar estabelecer pontes, é falar das emoções e vivências partilhadas, tendo por base, experiências de vida muito diferentes.
O papel do Teatro é esse mesmo:
- Proporcionar um sonho de comunidade entre indivíduos distintos.
Estar no Teatro, é muito mais do que se imagina, ou aquilo que se pode encontrar nos livros.
Ser do Teatro, é saber que há objectos inúteis, mas contêm em si, os mais elevados valores.
O Teatro é um curso que nem uma vida inteira chega para o concluir. Por isso se diz :
- “o que custa mais ,são os primeiros 30 anos”
No Teatro, nada é mais importante do que proporcionar a possibilidade de ser cada vez melhor, com a certeza saudável, que nunca se atingirá a perfeição.
E assim, será muito mais possível, acreditar num futuro melhor.
Num futuro, onde hajam Mulheres e Homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social, e na sua qualidade de vida cultural, mas também, contribuir para o Desenvolvimento do Local onde estão inseridos.
Mas para isso, não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas e artísticas, pois sabemos, que cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.
Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos, faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.
Cabe por isso, aos Dirigentes Artísticos e Associativos, aos Agentes Culturais, aos Patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às Autarquias, (já que o Governo Central não aceita pedidos de apoio, dos Amadores de Teatro), um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento sociocultural das Artes dos Palcos Associativos.
Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, com “a “mão de obra barata ” que somos, e A LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.
Valha-nos, a muita paixão que sentimos pelo Teatro, valha- nos a muita preseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País Que Somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos, que acreditam no trabalho dos Amadores de Teatro, vai sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sociocultural , chamada TEATRO. Valha-nos isso.
Mas, não nos devemos esquecer, o quanto é importante saber o que é A
RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.

O Teatro de Amadores das Associações, é de facto, e sem demagogias, uma Grande Escola de Humanização para a Vida Social, Cultural e Associativa.

Com um abraço companheiro
Sempre
ALFREDO CORREIA
CTR/AMASPORTO