Eis um espaço de partilha para gente que se interessa por teatro e outras artes. Podemos e devemos partilhar: fotos, reflexões, críticas, notícias diversas, ou actividades. Inclui endereços para downloads. O Importante é que cada um venha até aqui dar o seu contributo. Colabore enviando o seu texto ou imagem para todomundoeumpalco@gmail.com

domingo, setembro 24, 2006

CURSO SUPERIOR DE TEATRO NA ESAP



Curso Superior de Teatro
da ESAP
para os primeiros anos e para completar o ciclo de licenciatura
Se é possuidor de um bacharelato em Artes, Letras ou afins
e possui experiência em teatro como formador, pedagogo ou animador teatral, poderá completar um ciclo de estudos em
Estudos Teatrais
na ESAP - Escola Superior Artística do Porto, completando assim uma licenciatura em teatro!

ESAP
Largo S.Domingos 80
4050-545 Porto
Telefone 22 339 21 30 - Fax 22 339 21 39
Serviços Administrativos:
secretaria@esap.pt

http://www.esap.pt/

domingo, setembro 17, 2006

Fernando Peixoto lança HISTÓRIA DO TEATRO EUROPEU



A OBRA

O que é e como surgiu o teatro? Inspiração dos deuses? Obra dos homens? Triunfo do Inverno ou Sonho de Uma Noite de Verão? Mistério da vida ou sonho de loucos?
Sabe-se hoje que é a arte mais antiga da Humanidade, porque sendo a arte do diálogo, nasceu quando um Homem começou a comunicar com outro Homem, utilizando o corpo, o gesto, as palavras. Mas como evoluiu o Teatro? Sagrado ou Profano, Trágico ou Cómico, navegando na Barca de Caronte ou na Barca do Inferno, convocando anjos ou demónios, sempre o Teatro serviu os deuses e os homens, glorificando-os, mas também descobrindo-lhes e expondo-lhes os defeitos.
Ameaçado na Grécia e em Roma, silenciado nos primevos da Idade Média, arrastando-se em carroças itinerantes e mais tarde brilhando na luxúria dos salões aristocráticos, ciclicamente anunciado como moribundo, sempre se ergueu qual Fénix renascida.
Tomando os primeiros passos da Humanidade como ponto de partida, História do Teatro Europeu transporta o leitor numa fascinante viagem ao longo de milhares de anos, acompanhando a evolução de uma das mais sublimes criações do homem.


Escrita num estilo cativante, e prefaciada pelo encenador Roberto Merino, a obra aborda todas as épocas e estilos do fenómeno teatral, dando a conhecer ao leitor universos tão fantásticos como os da tragédia grega, os dos autos vicentinos ou os do criador de Romeu e Julieta. Dedicando um capítulo ao séc. XX em Portugal, História do Teatro Europeu, que é também uma história sociológica e política da humanidade, é uma obra de grande actualidade e rigor que poderá ser consultada com vantagens pelos profissionais e estudiosos do teatro e que agradará também aos leitores que pretendam conhecer melhor o maravilhoso mundo do palco e pretendam viajar pelos caminhos do tempo, observando as mulheres e os homens que, num continuum imparável, foram construindo a própria história.

Já se ouvem as pancadinhas...
Que se abram as páginas.
NOTA:
Depois de se ter esgotado, em menos de dois meses, a sua obra História do Teatro no Mundo, da Enciclopédia DIDACTA, Fernando Peixoto vê a Sílabo editar este seu longo estudo sobre o percurso do Teatro na Europa. Pela primeira vez há, em língua portuguesa, uma obra acessível para os estudantes de teatro.

sábado, julho 29, 2006

O Verdadeiro Oeste


Na sequência das Provas de Aptidão Profissional do Curso Profissional de Teatro do CONSERVATÓRIO-ESCOLA DAS ARTES- Engº Luiz Peter Clode, do Funchal-Madeira, foi-me dado presencear alguns espectáculos montados pelos alunos daquele estabelecimento de ensino.
Foi uma adorável surpresa constatar a qualidade do ensino que ali é praticado, mas mais gratificante foi ainda ter assistido aos espectáculos. Na imposibilidade de me pronunciar sobre todos eles, não posso deixar de destacar «O Verdadeiro Oeste» de Sam Shepard, uma notável encenação de José António Barros, finalista daquele Conservatório, que soube ler o verdadeiro espírito do autor e do clima que este pretendeu insuflar na peça.
Aos interessados, deixamos aqui o endereço do site especialmente criado para apoiar o espectáculo:
Estão de parabéns os alunos, mas também os professores daquela Escola Profissional, ao trazerem ao Teatro o contributo de novos valores.

domingo, julho 23, 2006

ENSAIO - estreia



ESAP apresenta,

27, 28 e 29 de Julho, 21h30
Rivoli Teatro Municipal / Pequeno Auditório
ENSAIO
de José Peixoto
pelo Curso Superior de Teatro da ESAP - Alunos finalistas

ENCENAÇÃO: Roberto Merino
DESENHO DE LUZ: Manuel Ângelo
CORPO DOCENTE LIGADO AO PROJECTO: Helena Guerreiro, João Henriques, Lígia Roque, Nuno Lucena.
INTÉRPRETES
Andreia Gomes
Diana Couto
Diana Morais
Sandra Ribeiro
(finalistas do Curso superior de Teatro da ESAP)

SINOPSE
«Durante uma hora e quarenta minutos, num quarto fechado, três actrizes debatem-se sobre a sua vida tomando como modelo as personagens centrais de uma das mais importantes peças do autor russo Anton Tchekhov: As três Irmãs.
O pano de fundo da obra serve de base para as actrizes, na actualidade, falarem das suas vidas, dos seus sonhos, das suas solidões e esperanças. O Teatro é a forma mais natural de comunicação entre elas.»

terça-feira, julho 04, 2006

TEATRO NO LARGO S. DOMINGOS


Os alunos do 2º ano do Curso de Teatro da ESAP vão apresentar a mostra de trabalhos da disciplina de expressão corporal, no dia 6 de julho, quinta-feira, pelas 12 horas, no largo de s.domingos. os trabalhos partem do tema o corpo e a arquitectura, consistindo em performances geradas no espaço público.
NÃO FALTES

domingo, julho 02, 2006

CURSOS DE TEATRO NA MADEIRA


O CONSERVATÓRIO-ESCOLA DAS ARTES- Engº Luiz Peter Clode
possui
CURSOS PROFISSIONAIS DE TEATRO
INSCRIÇÕES ABERTAS
ANO LECTIVO 2006 / 2007
C.P.TEATRO/INTERPRETAÇÃO
1ª Fase: até 15 Julho
Com Provas de Selecção:
19 e 20 Julho
2ª Fase: de 24 Julho a 5 Setembro
Provas de Selecção:
6 Setembro
ATELIER DE VERÃO – TEATRO À TUA MEDIDA
TEF COMPANHIA DE TEATRO
Data de realização: de 03/07/06 a 27/09/06 (às segundas e quartas feiras)
Objectivos:
- Sensibilizar as crianças para o teatro
- Dotá-las de conhecimentos necessários para esta área
Sede do Teatro Experimental do Funchal (Edifício Edmundo Bettencourt, Rua do Hospital Velho, 42 – entrada pelo parque do Edifício Freitas)
CONTACTOS PARA INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: tefteatro@sapo.pt - TEL: 291226747; FAX: 291233254 (SEDE DO TEF) – das 14H:30 às 18H:30.NOTA: Pode enviar a ficha de inscrição por correio electrónico.

quinta-feira, junho 15, 2006

comentário inconveniente


Dr. RosKoff:
Este texto, rosquofe, é verrinoso q.b.!
Quero mais, para poder entabular um estudo de psicologia comparada entre a patafísica e a psicose literária pimba.
Portugal sairá fortalecido com a evolução reflexiva das soturnas e mediáticas ligações entre o Arquitecto e o Imperador.
E o Tarot agradece.

terça-feira, junho 13, 2006

TEATRO


O Arquitecto e o Imperador da Assíria é uma peça de teatro do escritor espanhol Fernando Arrabal, autor do teatro e criador do movimento pânico, com o autor chileno Alejandro Jorodowsky. De passagem pela nossa cidade nestes últimos dias o Dr. Markos Rosskoff, conhecido Patafísico e amigo pessoal de Arrabal, lembrou alguns excertos deste texto… logicamente alterados patafisicamente no essencial do diálogo entre o Arquitecto e o Imperador

Arquitecto: (para o imperador) Gostas da nossa nova avenida?

O Imperador: (radiante) A nossa avenida e bela!

(ambos cantam em uníssono a canção A nossa avenida é bela)

Canção: (pode ser acompanhada com musica brechtiana)

“A nossa avenida é bela… é bela … é bela

É bela a nossa avenida… avenida … avenida

É nossa … é nossa … é nossa”

O Imperador: Não falta nenhuma pedra?

O Arquitecto: Não tudo está no seu sítio!

O Imperador: E a floresta?

O Arquitecto
: As árvores não deixam ver a floresta!

O Imperador: (canta só)

Canção (pode ser acompanhada pelo silencio, só pelo silencio)

“A nossa floresta é bela…
É bela a nossa floresta…
É nossa… é nossa”

O Arquitecto: E o espelho de aguas?

O Imperador: A fonte!

O Arquitecto: (sábio) Tantas vezes vai o cântaro à fonte que…

O Imperador: (pegando numa cadeira pressa à chão) E estas cadeiras que lembram o circo?

O Arquitecto: (sábio) Para ver a palhaçada!

O Imperador: (assinalando com o dedo a distancia) E aquelas árvores em macetas!

Arquitecto: (sábio e displicente) Miragens de Madrid ou do Prado!

O Imperador: (sardónico) E o cavalo gira ou não gira?

Arquitecto: (fod…) Claro que gira carago! Estou farto dessa conversa, isso deveria ter sido em 2001!

O Imperador
: Como assim?

Arquitecto: Vamos pólo numa base giratória e com uma ventoinha no rabo assim gira para um lado e para o outro!

(pausa dramática)


O Imperador: (pensativo) Ontem Tive um sonho…sonhei que era reeleito com maioria mais que absoluta!

O Arquitecto: (ri) Mas a sua excelência não precisa de maiorias, sois IMPERADOR!

O Imperador: (ri) é verdade, deve ter sido um pesadelo!

O Arquitecto: (pensativo) ontem tive um sonho… sonhava com uma cidade de pedra, toda ela de pedra, com avenidas de pedras, casas de pedra, árvores de pedra, rios de pedras, pássaros de pedras e fogo, fogo incendiando-se, de pedra…! Um sonho pós-moderno neolítico!

O Imperador: Que belo sonho!

O Arquitecto: (triste e pensativo) Mas acordei…!



(caem do céu pedras e árvores, que acabam por soterrar ambas figuras, no fim ainda se ouve a primeira canção “ A nossa avenida é bela”)

segunda-feira, maio 29, 2006

ESAP NO FITEI



ALUNOS DO CURSO SUPERIOR DE TEATRO DA ESAP NO FITEI

No próximo dia 30 de Maio, no Rivoli (3.º Piso), pelas 23 horas, os alunos do 3.º ano do Curso de Teatro apresentarão uma criação colectiva intitulada MESCLA. O espectáculo, com uma duração aproximada de 25 minutos, pretende propor uma reflexão sobre a vida e a morte. Isabel Barros e Patrícia Franco assumiram a supervisão, respectivamente, do movimento e da voz.

Também os alunos do 2.º ano, sob a direcção de Roberto Merino, apresentarão no átrio do Rivoli, em 2 de Junho, pelas 21,30 horas, o espectáculo de sombras denominado PANTOMIMA DE ARLEQUINO E COLOMBINA, retomando a tradição da Commedia dell'Arte.

O CÍRCULO DA JUSTIÇA














Foi com raro brilhantismo que os alunos do 2º ano do Curso de Teatro da ESAP estrearam, no passado Sábado, 27 de Maio, o espectáculo «O CÍRCULO DA JUSTIÇA», numa encenação do Prof. Roberto Merino, acompanhado na parte técnica (luz e som) por Manuel Ângelo Mota.
Apesar de constituir uma estreia, os alunos assumiram com rigor e grande empenhamento a interpretação de um espectáculo que não se afigurava fácil, quer pela exiguidade de meios ao dispor do grupo, quer pelo tempo escasso de que dispuseram.

Inspirado numa lenda oriental e em Bertolt Brecht, a peça manteve um ritmo bastante interessante e é sobretudo de salientar a forma como a encenação logrou respeitar a linguagem estética brechtiana.
Mais uma vez Robert

quarta-feira, maio 24, 2006

PORTO PROFUNDO


PORTO PROFUNDO de Alfredo Correia
O actor Alfredo Correio, encenador da Companhia Teatral de Ramalde, acaba de lançar a peça Porto Profundo, com textos adaptados de obras de Hélder Pacheco e que constituiu um bonito espectáculo revivalista das tradições mais genuínas do Porto e das suas gentes.
Alfredo Correia dá, assim, um notável contributo à dramaturgia portuguesa e sobretudo portuense.
A obra foi apresentada publicamente na Fundação Eng.º António de Almeida, no passado dia 20 de Maio, pelo Dr. Júlio Couto, outro notável Homem de Teatro desta cidade do Porto. Pôde ainda assistir-se à representação de alguns quadros do espectáculo, desempenhados pelos elementos da Companhia Teatral de Ramalde.
Este BLOG envia um abraço de parabéns ao Alfredo Correia e um obrigado por mais este contributo para a difusão do gosto pelo Teatro.

sexta-feira, maio 19, 2006

POESIA E TEATRO NA VILA DA FEIRA


TODO O MUNDO É UM PALCO
Foi sob este tema que os alunos do 2º ano do Curso de Teatro da ESAP apresentaram, no passado dia 12 de Maio, um sarau de poesia subordinada à temática do Teatro, na Livraria «VÍCIO DAS LETRAS» em Santa Maria da Feira.
O sarau permitiu estabelecer uma rara sintonia entre actores e espectadores que se aglomeraram no espaço acolhedor daquela Livraria, para partilharem poemas e citações de múltiplos autores como Tertuliano, Brecht, Shakespeare, Stanislavski, Cleide Canton, Sylvia Cohin e outros, numa demonstração de como a Arte de Dizer pode demonstrar os elos estreitos que existem entre o Teatro e a Poesia.
No final, os alunos foram brindados com uma calorosa salva de palmas testemunhando o agrado dos espectadores presentes. Como se provou, qualquer espaço é passível de transformar-se num palco quando actores e público se reunem para essa extraordinária comunhão que é a Arte.

sábado, maio 06, 2006

Fazer a Festa 2006


25ª edição - 5 a 14 de Maio de 2006
Jardins do Palácio de Cristal
Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett

Dia 6, sabádo[ 15.30h ]"MARIONETAS NO JARDIM" ¬ Instituto Superior Jean Piaget . VN Gaia ¬ P/ Todos[ 16:30h ]"O MEDO AZUL" ¬ Quinta Parede . Porto ¬ M/ 4[ 21.30h ]"NO NATAL A GENTE VEM TE BUSCAR" ¬ Cia Paulista de Repertório . S Paulo, Brasil ¬ M/ 12[ 23.30h ]"FOLEDAD" ¬ Lufa-Lufa . Porto ¬ P/ Todos
Dia 7, domingo[ 15.30h ]"NA CARA " ¬ Jens Altheimer . Alemanha / Portugal ¬ P/ Todos[ 16:30h ] estreia"QARIBÓ" ¬ Teatro Regional da Serra de Montemuro . Montemuro ¬ M/ 4
Dia 8, segunda-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)"O REI VAI NÚ" ¬ Evoé Teatro . Lisboa ¬ M/ 4[ 21.00h ] estreia"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
Dia 9, terça-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)"O ELIXIR DOS DESEJOS" ¬ Teatro das Beiras . Covilhã ¬ M/ 6[ 21.00h ]"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
Dia 10, quarta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)"BABINE, O PARVO" ¬ Teatro Art' Imagem . Porto M/4[ 21.00h ]"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
Dia 11, quinta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)"ESTÓRIAS DO ARCO DA VELHA" ¬ TapaFuros . Lisboa ¬ M/ 4
[ 21.00h ]"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
Dia 12, sexta-feira[ 10:00h e 14.30h ] (#)"ESTÓRIAS DO DIA E DA NOITE" ¬ Limite Zero / Teatro Art' Imagem . Porto ¬ M/ 4
[ 21.00h ]"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
[ 21.30h ]"AS BONDOSAS " ¬ Bando de Teatro Resistência . Bahia Brasil ¬ M/ 6
[ 23.30h ]"A ORFÃ " ¬ Feliz Natal . Porto ¬ M/ 12
Dia 13, sábado[ 15:30h ]"O PAI DO GIGANTE" ¬ ENTREtanto Teatro . Valongo ¬ P/ Todos
[ 16:30h ]"OS NARIGUDOS" ¬ Tanxarina . Galiza ¬ M/ 4
[ 21.00h ]"OS DIAS FELIZES" ¬ Projecto Cem Beckett . Porto ¬ M/ 12
[ 21.30h ]"VILLARET" ¬ Teatro da Comuna . Lisboa ¬ M/ 6
[ 23.30h ]"XMAS QUANDO QUISERES" ¬ Tzero . Porto ¬ M/ 12
Dia 14, domingo[ 15:30h ] estreia"SERPENTINA" ¬ Radar 360º . Porto ¬ P/ Todos
[ 16:30h ]"ESTÓRIAS DO DIA E DA NOITE" ¬ Limite Zero / Teatro Art' Imagem . Porto ¬ M/ 4
(#) - marcação préviaprograma sujeito a alterações

segunda-feira, abril 03, 2006

PRÉMIO MANUEL DENIZ-JACINTO


CONCURSO DE TEXTOS DRAMÁTICOS INÉDITOS
PRÉMIO MANUEL DENIZ-JACINTO

A ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO – ESAP, em colaboração (ou com o patrocínio de) ………….. no cumprimento dos objectivos enunciados pelo seu Curso de Teatro, vem convidar todos os interessados para concorrerem ao Prémio anual
Manuel Deniz-Jacinto
na modalidade de texto dramático, prémio que será atribuído ao texto inédito submetido a concurso e que mereça do Júri apreciação positiva.
O Prémio não se reveste de compensação pecuniária, mas será alvo de publicação em edição exclusiva num total de 500 exemplares (dos quais cinquenta -50- serão oferecidos ao autor) e será entregue em cerimónia pública realizada pelos responsáveis do Curso de Teatro e da Direcção da ESAP.
Serão ainda envidados esforços no sentido de que o texto premiado venha a ser alvo da montagem de um espectáculo por companhia convidada ou pelos alunos do Curso de Teatro da ESAP.
O Júri poderá contemplar a atribuição de um segundo ou terceiro prémio, assim como menções honrosas caso o julgue conveniente.
O Regulamento contempla os requisitos seguintes:

1 - OBJECTIVOS
O Prémio Manuel Deniz-Jacinto, denominado assim em homenagem ao Pedagogo e Homem de Teatro que também foi o Primeiro Director do CS de Teatro da ESAP, para textos dramáticos inéditos, visa promover a descoberta de novos autores e (ou) novas propostas dramatúrgicas susceptíveis de enriquecerem o panorama da escrita dramática em Portugal.
2 - REQUISITOS
Os trabalhos apresentados deverão ser absolutamente inéditos e não poderão ser resultantes de adaptações ou quaisquer montagens anteriores.
3 - FORMA DE APRESENTAÇÃO, DIMENSÕES E Nº DE EXEMPLARES
Os textos a concurso terão um mínimo de 40 páginas do tipo A4 dactilografadas ou feitos em computador, a dois espaços com letra do tipo Times New Roman de corpo 12, enviados em triplicado para:
Presidente do Júri do Prémio Manuel Deniz-Jacinto/ESAP, Largo de S. Domingos…. - PORTO.
As obras serão assinadas com pseudónimo e virão acompanhadas de um envelope lacrado, com o pseudónimo por fora, dentro do qual constarão o verdadeiro nome do autor, identificação, morada e contactos, bem como o respectivo pseudónimo, envelope esse que só será aberto após a deliberação do júri. O não cumprimento desta cláusula implica a rejeição do concorrente.

4 - DATA DE ENTREGA
Os trabalhos referentes ao Prémio Manuel Deniz Jacinto/ESAP a atribuir no corrente ano serão entregues até 15 de Julho de 2006, data em que o júri começará a funcionar. Os trabalhos enviados pelo correio serão recebidos e considerados válidos, desde que a data do carimbo não seja posterior ao dia 15 de Julho de 2006.
5. CONSTITUIÇÃO DO JÚRI
O Júri será constituído por três membros escolhidos conjuntamente pela Direcção da ESAP e pelo responsável do Curso de Teatro, sendo os trabalhos escolhidos por votação maioritária, que ficará registada em acta assinada pelo Júri.
Nenhum autor, editor das obras a concurso ou membro da Direcção ou dos Corpos Gerentes da ESAP poderá ser membro do júri.
Caso a qualidade dos trabalhos não justifique a atribuição dos prémios, o júri reserva-se o direito de não os atribuir. Da mesma forma, se da qualidade observada resultar uma apreciação positiva do júri face a mais do que uma obra a concurso, poderão ser atribuídos prémios ex-aequo ou formuladas recomendações para publicação de mais do que uma obra.
Das decisões do júri não haverá recurso, ficando em arquivo a acta em que se tenha consignado a votação dos seus membros.

6. ENTREGA DOS PRÉMIOS

Divulgar-se-á na imprensa o nome do vencedor no dia 30 de OUTUBRO do ano do concurso. A data e o local do lançamento da obra serão acordados com o vencedor.
Na cerimónia de atribuição do Prémio bem como no momento do lançamento da edição, o autor será devidamente convidado e publicamente apresentado pelos órgãos competentes da ESAP.
7 - SOBRE O REGULAMENTO
A participação nos concursos implica a total aceitação das condições expressas neste regulamento.


O DIRECTOR DO CURSO DE TEATRO DA ESAP
Prof. Roberto Merino Mercado
DIRECÇÃO DA ESCOLA SUPERIOR ARTÍSTICA DO PORTO – ESAP
Dr. Fernando Somer

quarta-feira, março 29, 2006

O TEATRO NO BRASIL SETECENTISTA



TEATRO DE MANUEL LUÍS (à esq.)
TEATRO DE OURO PRETO OU CASA DA ÓPERA (à dir.)
O teatro de que o Brasil desfruta no século XVIII é ainda muito influenciado pela Igreja, está confinado aos centros populacionais mais importantes e vive essencialmente da «importação» de espectáculos provindos de Lisboa.
Começando por Salvador, na Bahia, onde estava sediado o vice-rei, vai-se deslocando sucessivamente para o Rio de Janeiro, cidade que começa a conhecer um maior desenvolvimento económico e político. E, à medida que algumas cidades do interior iam adquirindo o protagonismo que a mineração lhe conferia, casos de Minas Gerias ou Mato Grosso, assim se deslocavam, também, alguns espectáculos para gáudio dos exploradores.
Será sobretudo na segunda metade do século que a representação de espectáculos teatrais irá conhecer um novo impulso. Igrejas, palácios de personalidades ligadas à governação ou mesmo a praça pública, são aproveitados como locais para representações. Só mais tarde, depois de reconhecida a importância educativa que o teatro podia assumir, é que se começam a edificar locais destinados especialmente às representações: são as denominadas Casas da Ópera. Por aí começaram a surgir não apenas representações operáticas mas igualmente a apresentarem-se comédias, parte delas representada em castelhano, ou então vindas de Lisboa, já traduzidas - nem sempre com o necessário rigor - e que aqui chegavam também sob a forma de folhetos de cordel: a «moda» acabava por ser importada de Lisboa!
A compreensão do papel formativo do teatro impeliu os poderes públicos a favorecerem a edificação de espaços teatrais (admite-se que o primeiro tenha aparecido em 1760, na Bahia, o qual ficou conhecido como o «teatro da praia», composto por 28 camarotes e com um palanque para a acomodação das mulheres) e a criação de companhias locais, que contratavam actores brasileiros pertencentes às classes menos favorecidas, sobretudo mulatos, negros, escravos, a maior parte, naturalmente, sem qualquer preparação anterior e muitas vezes desprovidos de quaisquer direitos de cidadania.
Claro que os elencos eram constituídos exclusivamente por homens, já que a actuação de mulheres estava interdita, o que implicava a utilização sistemática de travestis, criando situações de representação verdadeiramente grotescas, por mais que os homens se esforçassem numa boa imitação. De resto, havia mesmo actores especializados na representação de papéis femininos.
Há que ressalvar, entretanto, que sendo esta a norma, terá havido casos em que os elencos integraram mulheres. Décio de Almeida Prado, no Teatro de Anchieta a Alencar, dá-nos conta da presença de freiras e outras personagens femininas representando em «manifestações teatrais ou parateatrais, de natureza privada e repercussão restrita, com margem para improvisações pessoais e libertinas», o que mostra bem que nem sempre os espaços sagrados estavam exclusivamente reservados para as manifestações piedosas!
Convém não ignorar que a actividade teatral era ainda por muitos considerada uma arte imprópria para «gente de bem» e completamente proibida ao sexo feminino, que chegava mesmo ao cúmulo de não permitir mulheres entre os espectadores, principalmente em espectáculos cujo conteúdo pudesse, de alguma maneira, ser considerado mais licencioso. Depois, eram estas companhias que levavam os seus espectáculos aos vários edifícios entretanto construídos, representando sobretudo em momentos festivos e promovendo uma itinerância que acabaria por tornar mais alargado o gosto pelo teatro.
Quando alguns actores portugueses se deslocavam ao Brasil, o que não seria demasiado frequente mas que mesmo assim ia acontecendo de forma esporádica, o seu teatro arrastava verdadeiras multidões de curiosos. Sabe-se, por exemplo, da sua presença em Vila Rica.
O grande impulso para a existência de um teatro local terá sido, mais uma vez, dado por gente ligada ao clero, como o padre Ventura, que dirigia a Casa da Ópera, criada em 1767, e aí encena obras de António José da Silva, um brasileiro que viveu a maior parte da sua curta vida em Portugal. Mas a actividade da Casa da Ópera acabaria com um incêndio que destruiu o edifício em 1769, precisamente quando ali se representava Os Encantos de Medeia, de António José da Silva.
Em 1776 surgiu o espaço do Teatro de Manuel Luís, um empresário que contratava companhias portuguesas. Mas a sala acaba por ser encerrada e D. João VI ordena a construção do Real Teatro de S. João, inaugurado em 1813 e destinado essencialmente à representação de companhias vindas de Portugal, tanto mais que a corte se encontrava já no Brasil.
Outros espaços foram aparecendo, pelos finais do século, como a Casa da Comédia, em S. Paulo ou em Vila Rica, montando- se espectáculos com peças de autores portugueses, italianos, espanhóis, franceses, muitas das vezes chegando ao Brasil adulteradas por sucessivas adaptações, quando não mesmo sem identificação da autoria.
O repertório não sendo muito variado, privilegiava claramente a farsa e a comédia do chamado teatro de «capa e espada» do siglo de oro, com preponderância para Zorrilha e Calderón. El Conde de Lucanor e Afectos de odio y amor, duas comédias de Calderón de la Barca, foram apresentadas em 1717.
As companhias locais não podiam deixar de reflectir as claras insuficiências da sua preparação, apesar do investimento que por vezes era feito numa certa sumptuosidade e fantasia cenográfica, que não se coibia de espelhar os exageros ao sabor da imaginação dos seus criadores, o mesmo acontecendo com o figurino, que procurando imitar o das personagens reais, era muitas vezes empolado por ornamentos claramente anacrónicos. Também não se podia exigir grande rigor de interpretação, sobretudo levando em conta que a maior parte dos intérpretes era analfabetos. A sua «escola teatral» era a da vida e a da observação, pelo que as personagens representadas eram frequentemente imitações de outras que tinham sido vistas nas representações de companhias profissionais.
Além dos autores já referidos, Metastásio, Voltaire, «o Judeu», Maffei, Goldoni e Molière foram alguns dos autores que integraram o repertório da época, nos diversos palcos do Brasil setecentista.
Mas nem só de autores estrangeiros viveu o teatro brasileiro de então. A sua difusão proporcionou o aparecimento de nomes que não podem - nem devem - ser olvidados, destacando-se entre eles o poeta e compositor, natural do Recife, Luís Alves Pinto (1719-1789). Tendo estudado música em Portugal, Alves Pinto dedicou-se à pedagogia ao mesmo tempo que compunha a sua música e os seus poemas, tendo visto ainda representada, em 1780, aquela que foi considerada a primeira comédia escrita por um autor brasileiro, intitulada O Amor mal correspondido.
Outro dos autores que contribuiu para o espólio teatral brasileiro foi o poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), autor do drama em verso Parnaso obsequioso.
Filho de portugueses que estavam ligados à exploração mineira, fez estudos em Ouro Preto, de onde seguiu para o Colégio de Jesuítas do Rio de Janeiro, completando em Portugal os seus estudos de Direito, vindo a exercer advocacia e diversos cargos públicos.
Da sua passagem por Portugal trouxe várias influências: integra a Arcádia existente em Vila Rica (Ouro Preto), convive com outros intelectuais como Tomás António Gonzaga ou Alvarenga Peixoto, cultiva uma poesia vincadamente barroca, de temática rústica ou pastoril vertida em fábulas, cantatas e em sonetos de notável perfeição. A sua estada em Coimbra, aliada ao conhecimento da dura vida das minas, terá contribuído para desenvolver uma certa tendência de rebeldia. Implicado como conspirador na Inconfidência Mineira, é preso e acaba morrendo na cadeia, segundo alguns historiadores vítima de suicídio.
Curiosamente - ou não - o teatro brasileiro deste século deve os seus nomes maiores a homens de ideais progressistas e revolucionários. Já falámos de António José; do poeta português Tomás António Gonzaga que, sem escrever teatro, produziu a sua melhor poesia em terras brasileiras; de Cláudio Manuel da Costa, vítima da Revolta do «Tiradentes».
O seu grande amigo, Inácio José de Alvarenga (1744 ?-1792 ?), que mais tarde acrescentou ao seu nome o apelido literário de Peixoto, teve um percurso bastante semelhante. Como Cláudio Manuel da Costa, também Alvarenga Peixoto estudou Direito em Coimbra, regressando ao Brasil em 1775. Dedica-se também à poesia, integra o movimento arcádico e acaba, também ele, por ser preso e condenado à morte como conspirador da Inconfidência. Contudo, a pena é comutada em degredo, que virá a cumprir em Angola, falecendo no presídio de Ambaca em 1792.
Embora a sua obra não tenha atingido a notoriedade nem o volume de Gonzaga ou de Cláudio Costa, o certo é que lhe é atribuído o drama lírico Eneias no Lácio, obra que infelizmente se terá perdido.
De todos os autores teatrais setecentistas, o maior foi, sem dúvida, «o Judeu». E se Portugal dele se orgulha, o Brasil tem motivos redobrados para amar intensamente este filho que nas suas terras nasceu para engrandecer a dramaturgia de língua portuguesa.
FERNANDO PEIXOTO - Teatro. In Enciclopédia Didacta. Lisboa: F.G.P. Editores, 2005.

segunda-feira, março 27, 2006

27 de MARÇO - ESAP no CONTAGIARTE

ESAP elogia acto teatral no Contagiarte.
Na comemoração do Dia Mundial do Teatro, os alunos de teatro da ESAP - Escola Superior Artística do Porto organizam uma exposição retrospectiva de trabalhos realizados nos vários anos do curso, em diferentes disciplinas. Hoje, às 23h00, a abertura da exposição é feita com uma performance pelos alunos, no Espaço Contagiarte, das 23h00 às 2h00, até dia 31 de Março. Conscientes da efemeridade do teatro, da incandescência momentânea do acto teatral no palco, os alunos do Curso Superior de Teatro foram guardando objectos de memória dos seus últimos espectáculos durante estes quatro anos de formação: maquetas, fotografias, desenhos de figurinos e cenários, programas e cartazes. Trabalhos agora expostos no espaço multifacetado do Contagiarte. A heterogeneidade dos elementos expostos compõe um percurso dos alunos, nomeadamente os finalistas, nos diversos trabalhos, tais como: interpretações, performances, workshops, vídeo-dança, happenings, cenografias e produções.
in O PRIMEIRO DE JANEIRO de 27 de Março 2006

domingo, março 26, 2006

BUENAS NOCHES SRª. DIDASCALIA



Buenas noches
Señora Didascalia,
dama antigua
casi clásica
callada en los versos tebanos
sonora en Troya
tu pie descalzo
métrico sin métrica
vagó por el teatro vicentino
en una barca o nao
sin destino

los modernos te adoran
rescatáronte del silencio
pues nadie puede hacer silencio, pausa o ruido
sin didascalia

la noche es una luna buena
entre parentesis
parece Lorca

o la máscara es necesaria
parece Brecht

a ti hoy te han dado
nuevos oficios...
pero también hoy es dia de dormir

"buenas noches gentil principe...
que el resto es silencio"


ROBERTO MERINO MERCADO
(ao Fernando Peixoto no dia Mundial do Teatro e da Poesia -21/27 de Março 2006)

sexta-feira, março 24, 2006

ENCONTRO INTERNACIONAL DE ALUNOS DE ESCOLAS DE TEATRO


Este encontro destina-se a todos os estudantes do Ensino Superior e Escolas Profissionais que queiram reflectir sobre o Teatro, a Formação e as saídas profissionais para os estudantes de Teatro.

Pretendemos criar um espaço de discussão e exposição de ideias assim como confrontar algumas experiências de ensino nas diferentes áreas de formação e o confronto de diferentes percursos e diversas linguagens artísticas.

Ao mesmo tempo esperamos que os participantes possam assistir na cidade do Porto e nos últimos dias do Fitei a diferentes espectáculos de diferentes países da cultura ibero-americana para o conhecimento do teatro dos novos países de expressão portuguesa e de novas dramaturgias.

O espaço cultural da ESAP é um espaço inserido na zona histórica, Património da Humanidade classificado pela UNESCO.

Os participantes poderão assistir em aulas abertas e aulas de experimentação confrontando-se sempre com novos meios e novas experiências trazidas pelos participantes de outras escolas.

Será também uma forma de dar a conhecer a nossa cidade e os seus espaços culturais, as bibliotecas, os museus, os teatros e as escolas.

Evento que se pretende conservar e realizar outras edições com mais destaque e sobretudo mais difusão, assistiremos ao lançamento de livros e a uma pequena feira do livro de teatro com livros usados e novos para trocas e compra.

A ESAP dispõe de cantina onde serão servidas as refeições.
A biblioteca da ESAP estará aberta para consulta e visitas durante o Encontro.
Este Encontro está aberto a todos os interessados na problemática do Ensino e do Teatro.
O valor da inscrição para o encontro é de 3.00 euros.

PROGRAMA

Organização Escola Superior Artística do Porto/ESAP
Curso Superior de Teatro com o apoio do FITEI/Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica

7 de Junho - Quarta-Feira

- 10.30 horas recepção ao Participantes entrega de Documentação
Almoço
- 15 .00 horas abertura da Exposição na Galeria da ESAP dos trabalhos dos alunos do CS Teatro
Apresentação da MUI CRUEL HISTORIA DE PIRAMO E TISBE, pelos alunos do 2º Ano do CS de Teatro
-17.00 horas Aula aberta de Historia do Teatro - Mestre Fernando Peixoto
Jantar
21.30 horas espectáculo FITEI

8 de Junho - Quinta-Feira

- 10.00 horas Aula de Interpretação - Dra. Lígia Roque
Almoço
- 15.00 horas Aula de Voz - Dra. Patrícia Franco
- 17.30 horas Projecção filme de Teatro comentado pelo encenador Roberto Merino
Jantar
- 21.30 horas espectáculo Fitei

9 de Junho - Sexta-Feira

- 10.00 horas Aula de Movimento - Coreógrafa Isabel Barros
Almoço
- 15.00 horas Aula aberta de Estética Teatral - Dra. Eduarda Neves
- 17.30 horas Sessão de Encerramento e Entrega de Diplomas
Jantar
21.30 horas Espectáculo Fitei

Nota esta programação poderá sofrer algumas alterações

Para efectivar a inscrição, cujo valor é de 3.00 €, deve preencher ficha de inscrição e dirigir-se à Tesouraria da Cesap - Rua Infante D. Henrique, n.º 131, 4051-801 - Porto, telef. 22.3392140 , fax. 22.3392101. Para mais informações consultar www.esap.pt ou secretaria@esap.pt .

quarta-feira, março 22, 2006

DIA DO TEATRO DE AMADORES


MENSAGEM

Os dias que correm são cada vez mais casmurros, porque estão vazios de sentimentos, de afectos e de valores, de tal modo que, pela raridade, já olhamos como heróis os que se dedicam às causas comuns. Agigantam-se a intriga e a obsessão humanas na desenfreada busca do bem-estar físico e material que, desfeita a redundância, materializa falsos paraísos de posse e de domínio. Cresce o individualismo e o consumismo. Dedicam-se dias a todos os devaneios possíveis e imaginários com o intuito do sucesso (precário). Impera o jogo da sedução nos pregões que anunciam as mais fantásticas qualidades atribuídas aos produtos e apetrechos de quotidiana banalidade e dispensáveis à felicidade, pois nada acrescentam à interioridade humana.

Apesar desta anestesiante realidade continuam a existir os lúcidos amantes. Aqueles que se dedicam de peito aberto a dar respostas aos apelos da consciência e da sociedade. Aqueles que, como escrevia Florbela Espanca, querem “…amar perdidamente! Amar só por amar! Aqui…além… Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…”, e todas as coisas. Que querem embarcar para o “Areeiro”, ou outros destinos – desde que seja para o sonho. Todos os caminhos do mundo estão à sua disposição.
Entre esses amantes, estamos nós, os amadores de teatro.

Nos tempos de intenso labor cultural, pós 25 de Abril, os amadores, com forte presença e implementação no país, representados pela sua associação de então – a APTA, escolheram para si um dia – o 21 de Março. Uma data sem devaneios, própria para celebrar a extensa obra realizada, umas vezes, de forma mais congregada, outras, mais dispersa, porém sempre participada e valiosa. Uma data que acima de tudo prepara a renovação e anuncia a Primavera – o desabrochar de novas ideias, e o surgimento de novos projectos e de redobradas ambições artísticas.

Hoje, as razões para comemorar o 21 de Março como Dia do Teatro de Amadores, são mais fortes. O mundo mudou. Neste início de século, a concorrência é imensa e agressiva. Proliferam as ofertas sedutoras à medida de todos os gostos e de todos os bolsos.
Apesar de tudo, o movimento do teatro de amadores persiste. Continua com o mesmo vigor e encanto de sempre, compreendendo e adaptando-se às exigências dos tempos que correm.
Os objectivos permanecem iguais: usar da melhor forma os sentimentos e a vontade de reencontrar os outros. Aceitar os desafios com os olhos postos na comunidade que nos rodeia – é para ela o nosso principal esforço. Encontrar prazer no que se faz.
Se os objectivos são os mesmos, também o método não se alterou: continua a deduzir-se como força motora o querer e o crer. Confirma-se a necessidade de vencer os egoísmos e de saber enfrentar as dificuldades. A nossa força esconde-se por detrás da força do grupo e do seu trabalho colectivo, em que o prémio de um, será o prémio de todos. Nunca buscar a fama, nem compensações de qualquer tipo, a não ser aquelas que são parte da alma.
É isso que temos feito.
Não nos faltam argumentos e alegria para promover a festa.
Celebremos, então, em 21 de Março, tudo quanto somos como amadores, e o que queremos continuar a ser, certos de que o mundo reflectirá, em algum momento, os sinais positivos do nosso esforço, do nosso compromisso e do nosso encantamento.

Porfírio Lopes

terça-feira, março 21, 2006

DIA DO TEATRO ASSOCIATIVO


MENSAGEM

Encontrar numa folha em branco as letras certas que se transformem em palavras capazes de definirem a importância do chamado teatro de amadores em Portugal, não é fácil.
Para que essas palavras se transformem em frases capazes de definirem tudo o que nos vai na alma, ainda é mais difícil. Não por incapacidade da nossa língua, mas porque estamos a procurar falar de emoções individuais que se transformam em manifestações colectivas de prazer e felicidade.
Falar dum movimento artístico que de Norte a Sul mantém permanentemente uma actividade diária de produção cultural num meio dum mar de contradições, emoções, angústias, é falar da nossa história popular.

Não daquela das revistas cor – de - rosa, ou dos circos e companhias de gente, que faz da futilidade formas de anestesia dum país adiado.
Falar deste movimento teatral é falar de milhares de homens e mulheres que nas suas comunidades, ou nos grandes centros urbanos, ousam sonhar e fazem das dificuldades a sua matéria - prima de construção artística.

No tecido cultural Português o teatro associativo é uma realidade tão rica que em qualquer país civilizado mereceria o carinho, o agradecimento e o estímulo daqueles que através do voto se transformam em gerentes das nossas vidas.
Num País exigente hoje as nossas televisões não ocupariam as manhãs a explorar duma forma criminosa os dramas pessoais de muitos dos nossos cidadãos.
Hoje as televisões abririam com os rostos iluminados e contagiantes dos amantes do teatro. Faces anónimas que apesar de tudo continuam a lutar, sorrindo, sorrindo sempre, com a convicção de quem sabe que este é um dos caminhos da felicidade.
Encontrar um dia anual para reflexão sobre este movimento sempre foi uma preocupação de algumas organizações que em determinados períodos procuraram organizar e representar este imenso grupo de amantes e enamorados pela arte teatral.
Com o esvaziar da APTA, antiga Associação Portuguesa de Teatro de Amadores, a ideia mais original, interessante e talvez mais definidora da verdadeira identidade desta forma teatral, surgiu pela Companhia Teatral de Ramalde e por essa forma única de encontro teatral que é o Amasporto.
O Dia do Teatro Associativo é por isso um dia que importa colocar nas nossas agendas e espalhar por todo o País.
Unir este imenso movimento em torno de estruturas representativas, é uma tarefa difícil, pela diversidade de propostas dos Grupos, pelas suas diversas formas de organização, pela formação artística variada, pelos meios disponíveis, muitas vezes resultados do bom ou mau humor dos poderes locais.
O caminho mais curto para uma possível unidade de objectivos, é partir pela estrada dos Companheiros de Ramalde para que um dia nos possamos encontrar todos no mesmo cruzamento.
Organizar encontros como o Amasporto, encontros de afectos e de solidariedade, encontros de valorização e agradecimento a homens e mulheres do teatro, que se espalhem como o sangue por todas as veias artísticas do país. Estes encontros de afectos irão aproximar cada vez mais Grupos.
Pequenas acções de cada vez, consolidando-as e diversificando-as, estreitando cada vez mais laços, mais abraços, mais de desejos de reencontro.
Não vejo hoje outro caminho com o individualismo instalado em todos os sectores da Sociedade.
Façamos do dia do teatro associativo, uma verdadeira associação de ideias e propostas.
Mesmo que seja um simples passo, mesmo que este ainda seja simbólico, mesmo que este não seja notícia de primeira página, mesmo que não haja manifestações de rua, mesmo que nos sintamos pessimistas, estes primeiros passos são fundamentais, porque é o inicio dum andar seguro e com futuro.

A todos os companheiros do Teatro Associativo importa saudar, importa apelar para que continuem a ousar, importa pedir para que não desistam.

Continuemos a fazer de cada texto, de cada espectáculo, de cada desafio, de cada contrariedade, o estímulo suficiente que contagie cada um de nós.
O futuro teatral passa por aqui, por estes últimos resistentes do sonho e da utopia.


João Coutinho
Companhia de Teatro do Ribatejo